quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Núvem de algodão


vivo dias de tédio

dias especiais que passam em passos iguais

dias normais que se atropelam em acontecimentos vulgares.

queria voar, saltar, dormir e acordar.

acordar num sonho...


mas a verdade é que eu não gosto de sonhar.

gosto apenas de viajar.

sozinha e comigo

aqui neste chão,

liberta e abandonada

na minha núvem de algodão.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Prosas Gripais


Há uma dor na cabeça.
Um vermelho no olhar.
Quero uma cama que me aqueça,
Onde me possa aconchegar.
A pele estremece,
Todo o meu corpo gela
Já nada mais me aquece,
Nem mesmo o frio da janela.
Olho por ela, fechada,
Há luz e fumo e céu
Afinal sou eu perdida e achada,
Neste quarto que é só meu.

"- Estás a chocar gripe" - Acorda-me a minha mãe.

Dou por mim a divagar,
Num delírio de rosas
Nesta cama onde me vou aconchegar
Perco-me, enfim... em prosas.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A sonhar


Não gosto de sonhar.

Não gosto de adormecer com o medo de sonhar.

Às vezes é bom. Mas a maior parte das vezes é mau.

Há quem goste de fechar os olhos para entrar numa nova dimensão, para abrir as portas de um novo mundo. Um mundo que não é seu, que não é real. Um mundo que não é.

Esse é o mundo dos sonhos.

De um modo geral, sonhar é imaginar aquilo que é bom, que é utópico e inalcançável.

Mas para mim, sonhar a dormir é um pesadelo, um desassossego, uma dor interminável.

Dor que não consigo conter, porque nem sempre tenho consciência de que só dói porque sonho e porque sonho, devia acordar.

Mas não acordo e choro. As imagens não fazem sentido, os sítios são os que conheço, mas de repente soam-me desconhecidos!

As pessoas fazem ou já fizeram parte da minha vida. Se me são próximas, passam a ser distantes, e se me são distantes acabam por se tornar íntimas, sem que nem eu perceba porquê.

Elevadores que caem de pisos à altura do céu, que são conduzidos por um homem doido, de cabelos espetados no ar. Estou acompanhada, mas é como se estivesse só. Porque ninguém me ouve e ninguém entende que quero saltar para fora do sonho, que quero acordar e não voltar a adormecer.

Que tenho medo de sonhar.

Outras vezes são aviões. Que caem.

E sou eu que os quero levantar.

Levantar-me a mim, aqui sozinha...

A sonhar.