sábado, maio 20, 2006

Carrossel da Vida

Soa a campainha.
Precipitamo-nos todos na direcção do lugar que nos dará maior grau de adrenalina.
Descem as protecções de segurança e alguém vem confirmar se estão realmente cerradas.
O vento começa a bater-nos na cara, sentimos a pressão que nos empurra para baixo e então recordamo-nos da placa que desaconselhava o embarque a cardíacos.
Arrependemo-nos .
Mas já é tarde demais.
Já lá estamos dentro e não somos os únicos.
A subida é lenta, mas em breve precipitamo-nos para um abismo que não podemos ver porque a velocidade é tanta que parece golpear-nos os olhos à navalha. O coração bate mas às vezes parece que quer parar.
Sobe e desce o comboio, mas curiosamente a subida é sempre mais lenta do que a descida. E se queremos lá ficar em cima para apreciar a altitude e a sensação de superioridade, então é tarde demais porque logo descemos numa loucura que nem nós conseguimos controlar.
Vamos todos. Mas apenas alguns voltam...
Voltam os mais fortes...
São sempre esses os que ganham,
A força e a coragem do carrossel da vida.

domingo, maio 14, 2006

Asas


Hoje perdi as asas.
Já não posso nem sei voar.
Aterrei aqui onde já só existo eu
E a incerteza do dia que há-de chegar.

Olhas-me nesse sorriso belo e vago. Soltas as tuas asas, ensinas-me a voar. Mas o mundo continua triste visto de cima. Uma mancha lacrimosa caiu sobre ele e escorre sobre mim.
Caio e reconheço que nada me resta senão esperar.
Esperar no desespero de perder a liberdade de planar sobre tudo e sobre todos.
Menos sobre ti...

Sorriso belo,
Sorriso vago.