quinta-feira, janeiro 13, 2011

Gavetas cheias são rastos de passado


Abro a gaveta e procuro memórias passadas.
Há fotografias, blocos de notas, medalhas, porta-moedas. Há um número infinito de coisas que se atropelam, se escondem e se tapam umas às outras como folhas secas e verdes no final do Verão. Há sorrisos escondidos, laços perdidos, restos de músicas velhas. Há palavras rasgadas, agendas acumuladas, óculos de olhos que não vêem.
Na vida, como nas gavetas que tenho no quarto, também as memórias são muitas, também os bens mais do que imensos, também a vontade de os rasgar e desfazer mais do que forte. Também as velas ardidas queimam o coração, também as canetas perdidas escrevem uma canção, também as moedas esquecidas perdem valor.
Mas na hora de avaliar para que servem, na hora de pensar se as quero preservar, na hora de dançar ao som do vento e as atirar para longe... não as largo, não as perco, não as deixo voar.
Porque de inúteis têm tanto como de minhas. E de rastos do passado são mais do que valiosas.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

2011, enquanto te abraço

Bate a meia noite e as palavras são as mesmas. Os sorrisos os mesmos. A euforia de sempre. Os olhares têm emoção e há beijos apaixonados, abraços emocionados, desejos mais ou menos sentidos.
Enquanto te abraço com a força que só o amor tem, nem sei se acredito no que não te digo. Nem sei se penso no que sinto. Nem sei se devo ou não formular um desejo.
Enquanto te abraço e o mundo à volta deixa de fazer sentido, nem sei se devo dizê-lo, nem sei se deixo que o silêncio fale por mim.
Enquanto te abraço e deixo de te olhar nos olhos por instantes, passo em flashback quase tão rápido como falo os momentos que passei contigo em dias idênticos, que passam e se repetem vezes sem conta, anos sem fim.
Enquanto te abraço e o mundo pára, a contagem decrescente fala por mim, antecipa o fim de um ano velho e mau, despede-se de dias únicos e prepara o nascer de um novo amanhã.
Enquanto te abraço quase que acredito que amanhã será melhor, quase que sou imensa de alegria e esperança, quase que sei que vale a pena esperar e desejar.
Mas depois, quando te afastas e os espumantes estalam, quando os gritos e o barulho invadem o ambiente e a minha alma, também o meu coração deixa de acreditar, também a mente se perdem em viagens, também a razão chega e me pede para não desejar nada. Não querer nada. Não acreditar em nada.