domingo, junho 19, 2005

Ao meu Amor

Escrito em Denia, 23 de Agosto de 2003

Escreve assim a Margarida Rebelo Pinto naquele livro que devorei em dois ou três dias: "São sempre infinitas as formas que encontramos para ficar mais perto daqueles que amamos".
Na verdade, dou muitas vezes por mim submersa no mar da imaginação, nesse onde não há ondas, nem rochas, nem algas, nem marés vivas; nesse onde te invento e te vejo sempre, a correr em direcção a ele...
Nesse mar, onde a água se encontra sempre à temperatura natural dos nossos corpos, onde, estejas a que altura estiveres, vês sempre o fundo, mergulhado na transparência cristalina da perfeição, vivemos só nós, eu e tu, num sossego que desafia o perfeito.
E aí somos felizes, à nossa maneira, que ainda não conseguimos decifrar qual é.
Por isso é que te digo todos os dias, que apesar da distância que nos separa, há um lugar algures no vácuo da minha alma, onde temos encontro marcado a todos os segundos do dia.
É também por isso que estou sempre sem estar, sempre presente estando ausente, porque ainda não cheguei ao ponto da omnipresência de maneira a poder estar, efectivamente, de corpo e alma, aqui e aí.
Há muito tempo que me convenci de que nunca mais faria planos, porque não os podemos fazer! Não depende em nada de nós o que vai acontecer amanhã e quanto mais alto subirmos, maior será o tombo. "O voo é inseparável da queda, tal como a luz da sombra e o sonho da realidade."
Mas mesmo assim, gosto de mergulhar todos os dias de cabeça nesse mar, mesmo sabendo que pode vir uma tempestade.
Sempre fui assim, destemida no mar. Sempre fui uma sonhadora nata, adorava imaginar uma vida perfeita que afinal nunca cheguei a ter. E depois de tantas quedas, as minhas asas não resistiram e perdia-as para sempre, bem como a força para as recuperar.
Até que apareceste tu. Trazias-me os olhos brilhantes e o sorriso lindo como sempre. Ofereceste-me umas novas asas, desta vez mais fortes que me dão a segurança necessária. E uma coisa te garanto, se nunca mas voltares a tirar, nunca mais me apanhas no chão! Vou querer voar e voar, sempre cada vez mais alto, porque tu devolveste o sentido ao sonho e é aí que quero viver sempre, para nunca mais acordar.
Sabes, meu amor, se não há distância que separe o nosso coração, muito menos haverá distância que separe o mar do céu, que não passa de um reflexo deste, tal como o meu coração é espelho do teu.

sexta-feira, junho 10, 2005

Obrigada

Às meninas do meu grupo de Técnicas de Expressão.

Foi medo, terror, horror, que se esvairam nesse momento em que os meus passos pisaram esse chão, os meus dedos tocaram a alvura dessas teclas, a minha voz se fez ouvir na imensidão desse espaço povoado por olhares e mentes que se encontravam tão receptivas quanto eu insegura.
Foi paz, sossego, enfim...
Foi partilha, doação a esses corações que se abriram no sentido do meu, que compartilharam comigo horas de árduo esforço, de tormento, de desânimo, de desespero.
Sentimentos, porém, que culminaram no extremo de uma calorosa ovação, de sinceros sorrisos e congratulações que foram honestas ao ponto de não encontrar palavra digna de agradecimento.
Sei que agradecer é pouco para demonstrar o quanto me sinto grata pelo sucesso deste projecto no qual acreditei e desacreditei simultaneamente.
Mas não me surge outra palavra senão um imenso OBRIGADO, para vos dizer que me fizeram crer que vale a pena lutar, mesmo que as nossas forças sejam poucas e a nossa crença infundamentada.
Adorei os momentos que passamos, as ideias que trocamos, os sorrisos que partilhamos e também o ânimo que carregamos umas nas outras para seguir em frente neste projecto.
Agradeço, enfim, o terem formado comigo este grupo que jamais teria sucesso sem um pouco de vós.
E nunca é demais, deixar também uma palavra de apreço, a todos aqueles que mais ou menos directamente também contribuiram para aumentar aquela quase inexistente confiança que existe dentro do meu ser.
Ajudaram-me todos, de uma forma ou de outra, a superar um pouco mais, essa falta de crença em mim própria, essa falta de orgulho que jamais pensei ser capaz de me surpreender.
Foi uma experiência extremamente gratificante. Embora o palco não fosse estranho para mim, desta vez teve um sabor diferente, porque o partilhei com mais alguém e senti nele as energias dos corações que batiam ao mesmo ritmo que o meu.
A todas vocês, um enorme obrigada. Sem vós, jamais teria sido capaz.

sábado, junho 04, 2005

Força

A monotonia dos dias por vezes é tal que nos leva a pensar que termo havemos de escolher para qualificar a nossa vida. Pedimos algo de diferente, mas os dias continuam a repetir-se em passos inseguros mas sempre iguais.
Passam-se meses que se vêem ao espelho; dias que não fazem nada senão igualarem-se; horas que se deixam cair gota a gota qual temporizador preguiçoso.
Deixam-nos cair na inércia, na preguicite de momentos que elevamos ao extremo da vulgaridade.
Porém, é quando menos esperamos que o tempo nos dá motivos para amar esses dias.
Quando estamos sós, quando parece que todo o mundo se esquece de que existimos e quando até a nossa própria vida não cessa de nos fazer correr em busca de algo que nem nós próprios sabemos bem o quê.
Talvez tudo isto seja demasiado abstracto, mas seria demasiado íntimo se o conseguisse concretizar.
Estou farta, cansada e só...
Rodeada de todos, rodeada por mim, cheia de horizontes, preenchida por caminhos.
Mas falta-me a força para seguir em frente, para não desfalecer, para enfrentar o duro caminho que me espera.
Quero encontrá-la, carregá-la e, por fim, dispará-la contra esse alvo que almejo alcançar num tempo que para mim é eterno.