segunda-feira, setembro 21, 2009

Livro da vida



Um ano se vai passando, ocupado e inteiro, repleto de experiências que se eternizam no livro vida. Um dia, sei que para elas olharei com mera recordação. Para já ainda o faço com dor, com melancolia, com vontade de as apagar da memória com um apagador de giz ou um corrector de tinta branca como aqueles que usávamos na escola primária, mesmo que a professora proibisse.
Depois, surgiram os outros, a inovação, aqueles que apenas deixavam uma faixa branca de tinta autocolante.
Hoje é duro apagar as palavras que vamos redigindo nas páginas do livro da vida. Porque não queremos, porque não podemos. Porque não nos deixam, enfim.
Será pedir demais que te dê a minha caneta de cor invisível e com ela escrevas uma nova página no livro da minha vida? Vá lá. Só uma. Não custa nada e até podes fazer letra grande. Bem grande. Para que eu não me esqueça de a ler. Para que eu nunca a possa esquecer. Será que não mereço?
Prometo que, se assim for, numa chantagem doce e amarga, tudo farei para apagar aquilo que de mau teve que acontecer.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Frase que mudou o meu dia

Há frases que podem mudar o nosso dia, o nosso futuro, a nossa postura, a nossa vida.

"Não temo o que virá. Venha o que vier, nunca será maior do que a minha alma" (Fernando Pessoa)

quinta-feira, agosto 27, 2009

Em ti. Há muito. (de mim)

Há muito que não escrevo. Há muito que não choro em palavras sentimentos tristes e alegres. Há muito que não sai de mim o muito que há cá dentro, o muito que me prende ao passado, à dor que não passou, à saudade que aperta. Já falo de ti, já nem sempre choro ao falar de ti. Agora, em vez da dor, a saudade ocupou o espaço vazio, os momentos mortos, a tua falta. A falta que me fazes.
Hoje falam-me em destino. Estaria escrito? Se alguém o escreveu numa folha de papel, na parede ou no céu, não sei. Prefiro não saber. Porque quem o fez devia querer-te mal a ti.
Se me queria mal a mim? Não sei. Não creio. Sinais do tempo, da lua e da luz dizem-me que não devo dizer mal do destino, que não hei-de amaldiçoar aquilo que ele me reservou. É verdade.
Mas deixem-me só e simplesmente não pensar nele. E só em ti.
Porque contigo levaste um pouco do muito de mim.

segunda-feira, julho 13, 2009

Até quando?

Durante muito tempo foste um amigo, uma companhia, uma alegria.
Hoje és uma recordação dorida, uma lembrança temida, um ácido de dor que espreme lágrimas arrancadas de dentro.
Até quando irei continuar a chorar por ti?
Já não deveriam ter passado "aqueles dias difíceis" de que me preveniram?

segunda-feira, junho 29, 2009

Lembras-te?

Lembras-te do quanto gostavas da segunda-feira e quanto eu a odiava?
Lembras-te das horas que passava agarrada ao computador e tu, todo deliciado, dormias no meu colo?
Lembras-te de como resmungavas quando te acordava para te fazer um mimo perdido?
Lembras-te de quanto eu era feliz enquanto vivias?

quinta-feira, junho 25, 2009

Agradecimento


Se existes? Não sei.

Mas que Te manifestas nas mais pequenas coisas, isso não posso negar.

E sei que Te zangas comigo por não falar contigo, por duvidar daquilo que És.

Hoje só Te quero agradecer.

Pelos amigos. Pela família maravilhosa que me deste.

Pela alegria que me ensinaste a aceitar, quando tudo à minha volta parece desabar num mar de tristeza negra. Porque me ensiaste a sorrir mesmo que a mancha da perda me acompanhe sempre.

Obrigada pelas surpresas. Por transformares um dia que alguns dizem que é só meu numa coisa bonita e inesquecível. Tão mais inesquecível quanto menos eu a esperei e a condenei à tristeza.


terça-feira, junho 23, 2009

Rescaldo

Dei-te amor
Dei-te carinho
Dei-te paz, quando quiseste estar sozinho.
Dei-te alegria
Dei-te compreensão
Acho que posso dizer que também te dei paixão
Porque estar apaixonado
Era viver em função de ti
Era nunca deixar de querer ter-te aqui
Era elevar-te acima daquilo que eu própria senti
Era ter coragem de me esquecer de mim,
Para saber que ao pôr fim ao teu sofrimento.
Era o meu que estava a começar ali

domingo, junho 21, 2009

E agora?

Porque para mim eras mais que tudo.
Mais do que qualquer um igual a ti poderia ser.
Porque tu não eras um qualquer.
Porque tu não eras.
À medida que foste entrando na minha vida,
Fui-te dando vida, fui-te vendo crescer.
Fui-te acomodando num cantinho quente do meu coração.
Fui-me habituando a ti. Muito. Demais.
Devias ter vivido mais. Devias ter aproveitado a vida como os outros.
Como aqueles iguais a ti.
Embora nenhum fosse igual a ti.
Agora sei que não te perco mais.
Sei que também não te perdes nas ruas, nos carros, no destino.
Agora já só tenho certezas.
Tenho a certeza de que não virão mais dúvidas.
Só dor e muitas lágrimas.
Lágrimas por ti. Por tudo o que foste e por tudo o que merecias ter sido.

E agora? Como é que vou viver sem ti?

sábado, junho 20, 2009

Boa recordação

Não quero escrever.
Não quero falar.
Não quero lembrar.
Deixem-me chorar muito.
Hoje, amanhã e depois...
Até a lágrima secar e apenas ficar...
A boa recordação tua.

domingo, maio 31, 2009

Desta vez


Desta vez não vai ser tudo como dantes.

Desta vez não vou permitir que o destino decida por ti e por mim.

Desta vez não vou entregar as chaves do futuro às mãos de quem insista em decidir.

Não vou lutar por ti, não vou contra a minha vontade, não vou chorar mais.

Vou acreditar que deve prevalecer o que é melhor para ti, hoje e agora, e não amanhã e no futuro.

Vou convencer-te de que não vale a pena sofrer para ser feliz durante só mais um mês.

Hoje vou ser eu a tomar as rédeas do meu destino e da tua vida.

Hoje vou chorar. Mas só hoje. Mas só desta vez.

quinta-feira, maio 28, 2009

Porta que se abre, janela que se fecha


Há quem diga que quando Deus nos fecha uma porta, abre-nos algures uma janela.

Na minha vida fui sempre encontrando portas abertas e sempre soube sair pela janela mais pequena quando as oportunidades se iam fechando.

À primeira vista, quando as forças se parecem desvanecer e a vontade de desistir é mais forte do que a de saltar fora, tudo parece impossível até que uma força suprema, que não sei de onde vem, me dá o impulso final.

Sempre assim foi.

Hoje sinto que me abriram portas de par em par, e o fizeram quando menos esperava, quando já não acreditava que os raios de sol pudessem voltar a raiar na pequena casa de sonhos que fui construindo ao longo da vida, ao longo do tempo.

Prefiro acreditar que a abertura das portas fez a corrente de ar bater com a janela e partir alguns dos vidros. Prefiro ter crenças de que não tarda nada tudo voltará ao que era dantes, e que as novidades que me entram pela porta possam coexistir com a alegria de uma pequena vida pela qual fui lutando ao longo dos últimos meses.

Prefiro acreditar que o meu Leo não me vai deixar ficar mal, não agora, não hoje, quando a felicidade ameaça entrar de rompante pela porta que se abre, e as angústias de meses ameaçam ir embora pela janela que se fecha.

domingo, maio 10, 2009

Brisa de vento


Sinto uma leve brisa de vento.

Deverei abrir a janela?

Ou será só o meu pensamento?

terça-feira, maio 05, 2009

Às vezes

Às vezes, um simples raio de sol é capaz de mudar o Inverno.
Uma simples gota de água é capaz de agitar o oceano.
Às vezes, um pequeno sorriso é capaaz de mandar embora a tristeza
E uma pequena palavra tem força para mudar uma vida inteira.
Às vezes, quando a nossa vida escurece e a luz parece branda e artificial,
Um simples sopro de vento é capaz de mudar as certezas, de tornar ténues as tristezas.
Às vezes. Sim, às vezes a dor é tão forte que um simples suspiro pode trazer o alívio.

sexta-feira, maio 01, 2009

Final feliz?

Hoje somos novamente as mesmas personagens do mesmo filme. Gravamos as mesmas cenas vezes sem conta e esperamos um final que queremos que seja feliz. Não como da primeira vez, não como da primeira etapa em que o gravámos. Podíamos ter desistido, podíamos ter abandonado o barco e podíamos não estar aqui hoje, agora, a viver novamente a nossa vida, a reescrever sobre linhas férteis o teu e o meu filme, o filme da nossa vida. Mas estamos. E prometo que irei lutar para que, desta vez, o final não se repita. Como nos DVDs especiais, em que podemos ver as duas faces da mesma moeda, as duas possibilidades de final. Eu não quero chorar mais. Quero escolher o final feliz. E tu?

Seremos capazes?

segunda-feira, abril 20, 2009

Prefiro mesmo. Juro.

Prefiro pensar que já morreste.

Prefiro ver-te renascer a acreditar que vais morrer. Mesmo. E de vez.

Não me deixes.

sábado, abril 18, 2009

Can it be possible?

Everything is starting all over again.

Will I have strenght enough?

Vou continuar a lutar por ti, meu pequeno, mas perdoa-me pelos choros em sufoco e as lágrimas que não consigo conter. Hei-de arranjar forças para recomeçar. Tudo. E de novo.

quinta-feira, abril 16, 2009

Ser Forte

À Sandra

Ser forte mesmo quando as ondas são altas e a praia está longe.
Ser forte mesmo quando a noite é escura e a manhã ainda dorme no hospício da imaginação.
Ser forte mesmo quando os monstros que criamos extraviam os anjos que nos guiam.
Ser forte mesmo quando o mundo nos parece virar as costas, a felicidade parece ter-se esquecido de nós, a alegria parece ter emigrado para o outro lado do planeta.
Ser forte é o que nos pedem quando as nossas asas deixam de voar, os nossos poros de respirar, os nossos olhos de abrir.
Ser forte é, enfim, a única alternativa que temos para que a fraqueza não nos leve de arrasto na batalha e a poeira não nos encha os olhos e a boca.
Cospe a poeira e abre as asas. Deste lado há quem torça por ti, quem chore como tu, quem queira que, por muito que a dor seja superior à vontade de a combater, sejas forte.

quarta-feira, abril 15, 2009

Roleta da Vida


Há, na vida, uma roleta mágica cujo girar que não depende de mim. Nem de ti.

Algo ou alguém que desconhemos e cujo poder jamais seremos capazes de domar lidera a conduta dos acontecimentos, o atropelar de coisas boas e más que se vão sucedendo a cada caminhar.

Como numa roleta da sorte, em que sou forçada a girar os números no sentido contrário à minha força e a favor da minha vontade, apostei toda a minha força em ti, na tua vida.

Dei, em tua função, mais do que pensei ser capaz. Dei noites sem dormir, batidas descompassadas de coração, dias inteiros de esperança, preces a favor da tua recuperação.

Como num casino em que a vida comanda a sorte, apostei toda a minha felicidade em ti. Dei mais do que poderia imaginar, mais do que as minhas forças poderiam aguentar. Dei o melhor de mim, aboli barreiras materiais para te salvar. Viveste mais um mês. Não me abandones agora. Vou continuar a lutar por ti, Leo.

terça-feira, março 31, 2009

Livro como destino


Terminei ontem de ler "A vida num sopro" de José Rodrigues dos Santos.

Detesto o sentimento que me invade de cada vez que leio a última página de um livro.

Sinto que, durante dias, ele foi como que um companheiro leal nas últimas horas do dia. A história passa a fazer parte da nossa vida, passamos a ansiar pelo momento de ler a próxima página como se fosse a nossa própria vida que estivesse no limiar do acontecimento.

Planeamos finais, especulamos o que irá acontecer mas, ao mesmo tempo, não deixamos de nos sentir perturbados quando o autor escreve precisamente o que prevíamos.

No fundo, a história passa a ser escrita pelo nosso pensamento e pela nossa imaginação. As páginas são devoradas como leões famintos e ao mesmo tempo tentamos combater contra a fome que nos atira os olhos para o fim da página quando ainda estamos a ler o primeiro parágrafo.

"A vida num sopro" foi um desses casos. Mais de 500 páginas de uma vida condensadas em menos de um mês de leitura, em períodos de ditadura e Guerra Civil Espanhola. Mais de 500 páginas que ontem terminaram num final que se começou a desenhar óbvio nos últimos momentos, mas que eu não queria que acontecesse.

Como se o meu poder para mudar o livro fosse mais forte do que as palavras grafadas. Como se o meu poder para mudar a minha vida fosse mais forte do que o destino que está escrito.

quarta-feira, março 11, 2009

Bem vindo a casa, Leo

O Leo voltou para casa.
Depois de todas as lutas, depois de todas as lágrimas, depois de todas as esperanças perdidas.
Venceu, pelo menos até hoje. O futuro só Deus o saberá.
E eu sei que há um Deus, para lá dos instintos felinos. Um deus que é pequeno e tem garras, que tem pêlo e fala em "miau".
Sim, é quando as nossas crenças se afundam, que ele se manifesta. Esse Deus que é gato ou cão, que é homem ou mulher. Que é.
Que me fez acreditar que vale a pena chorar. Que tudo dói menos quando os dias são repletos de lágrimas.
Gostava de ser como o Leo, forte e destemido. De ser capaz de, mesmo em convalescença de uma operação que lhe roubou alguns órgãos, querer saltar muros, avançar sofás, provar a todos os outros de que tenho força de viver.
Mesmo que a vida me tenha traído, sabendo que a amo tanto.

Um obrigado muito sincero e especial a todas as palavras amigas das amigas que nunca me deixam só.