
quarta-feira, setembro 21, 2005
Falta

domingo, setembro 04, 2005
Momentos

Disseste-me um dia que são os pormenores que fazem os momentos e eu engoli as tuas palavras, sorridente por ter sido dona daquele instante em que cantei para ti a música do Pedro, que hoje me empurra de volta ao passado, para junto de ti.
Se calhar tornei-me pouco sensível aos suspiros de frases alheias que se tornaram próprias de cada um quando se identificam com elas. Se calhar a vida incentivou-me a curvar o pescoço e a colar os olhos no chão, onde o meu campo de visão não se estende para além do meu próprio umbigo. Se calhar transformei-me em algo que nunca fui, por razões que nunca existiram e às tantas nunca deixarão de me assombrar.
Por isso, naquele dia devia ter-te dado mais atenção, devia ter meditado e não me ter limitado a engolir as tuas palavras. Se o tivesse feito, não estaria agora tão surpresa por ter concebido a mim própria o melhor momento da semana quando ontem ouvi a tua voz, e os melhores momentos da minha vida cada vez que me dás a mão, me abraças, me segredas ao ouvido nas tuas expressões angelicais, exactamente aquilo que preciso de ouvir para o meu coração acordar de vez, estremecer e me dar razões para ter a certeza de que afinal ainda vive e eu não me limito a vegetar.
Foi isso que me fizeste: colocaste um semáforo encarnado na minha existência vegetal, monótona e estática, para reacenderes o verde, a esperança de que talvez esses momentos se pudessem repetir no dia seguinte, e no outro, e no outro...
Porque tu foste o pormenor que transformou a minha vida num momento que se irá prolongar eternamente.
sábado, agosto 20, 2005
Sopro de Saudade

É unicamente quando o mar ou a terra nos separam daquilo que consideramos, efectivamente, importante que nos apercebemos do que realmente significam para nós.
És cruel. Surges quando sabes que não posso evitar-te. Mas és ao mesmo tempo cobarde porque não vens só. Revestes-te de uma espécie de camada rígida e trazes contigo um turbilhão de sentimentos e emoções que se elevam ao quadrado a cada minuto que passa.
Longe, tudo se torna inalcançável. A certeza transforma-se na nossa mais temível dúvida e aquilo que considerávamos real perde todo e qualquer contorno que se possa considerar verdadeiro.
Os sentimentos alcançam proporções desmedidas. As dúvidas desfazem-se quando até precisavamos que existissem para que pudessemos pensar nelas de cabeça fria. As certezas perdem as suas raízes e começamos a valorizar aquilo que deixamos para trás e ao qual não davamos qualquer importância.
Apercebemo-nos de que a nossa existência só dá fruto quando em contacto com as nossas verdadeiras raízes. Raízes essas que nos recusamos a regar quando possuímos capacidades para tal. Mas agora que o vento nos empurrou de encontro a uma realidade que não conhecemos, que teremos que lutar para a descobrir, lamentamos esse afastamento cruel, essa desconexão dura que acabará por nos ensinar a viver.
Saudade que vens com a maresia que penetra o meu olfacto, que me surges na noite mais escura e que me obrigas a desejar nunca ter saído de onde realmente pertenço.
Quero matar-te sem encontrar arma com a qual o fazer.
Submeto-me, então, a ti e por entre lágrimas e frustrações lamento o teres aparecido na minha vida quando menos precisava, amaldiçoo a tua existência e almejo o dia em que o sol brilhará só para mim, sem a sofreguidão do teu sopro.
segunda-feira, agosto 15, 2005
Heróis

quinta-feira, julho 14, 2005
Enfim...
segunda-feira, julho 04, 2005
Come What May
domingo, junho 19, 2005
Ao meu Amor
Escreve assim a Margarida Rebelo Pinto naquele livro que devorei em dois ou três dias: "São sempre infinitas as formas que encontramos para ficar mais perto daqueles que amamos".
Na verdade, dou muitas vezes por mim submersa no mar da imaginação, nesse onde não há ondas, nem rochas, nem algas, nem marés vivas; nesse onde te invento e te vejo sempre, a correr em direcção a ele...
Nesse mar, onde a água se encontra sempre à temperatura natural dos nossos corpos, onde, estejas a que altura estiveres, vês sempre o fundo, mergulhado na transparência cristalina da perfeição, vivemos só nós, eu e tu, num sossego que desafia o perfeito.
E aí somos felizes, à nossa maneira, que ainda não conseguimos decifrar qual é.
Por isso é que te digo todos os dias, que apesar da distância que nos separa, há um lugar algures no vácuo da minha alma, onde temos encontro marcado a todos os segundos do dia.
É também por isso que estou sempre sem estar, sempre presente estando ausente, porque ainda não cheguei ao ponto da omnipresência de maneira a poder estar, efectivamente, de corpo e alma, aqui e aí.
Há muito tempo que me convenci de que nunca mais faria planos, porque não os podemos fazer! Não depende em nada de nós o que vai acontecer amanhã e quanto mais alto subirmos, maior será o tombo. "O voo é inseparável da queda, tal como a luz da sombra e o sonho da realidade."
Mas mesmo assim, gosto de mergulhar todos os dias de cabeça nesse mar, mesmo sabendo que pode vir uma tempestade.
Sempre fui assim, destemida no mar. Sempre fui uma sonhadora nata, adorava imaginar uma vida perfeita que afinal nunca cheguei a ter. E depois de tantas quedas, as minhas asas não resistiram e perdia-as para sempre, bem como a força para as recuperar.
Até que apareceste tu. Trazias-me os olhos brilhantes e o sorriso lindo como sempre. Ofereceste-me umas novas asas, desta vez mais fortes que me dão a segurança necessária. E uma coisa te garanto, se nunca mas voltares a tirar, nunca mais me apanhas no chão! Vou querer voar e voar, sempre cada vez mais alto, porque tu devolveste o sentido ao sonho e é aí que quero viver sempre, para nunca mais acordar.
Sabes, meu amor, se não há distância que separe o nosso coração, muito menos haverá distância que separe o mar do céu, que não passa de um reflexo deste, tal como o meu coração é espelho do teu.
sexta-feira, junho 10, 2005
Obrigada
Foi paz, sossego, enfim...
Foi partilha, doação a esses corações que se abriram no sentido do meu, que compartilharam comigo horas de árduo esforço, de tormento, de desânimo, de desespero.
Sentimentos, porém, que culminaram no extremo de uma calorosa ovação, de sinceros sorrisos e congratulações que foram honestas ao ponto de não encontrar palavra digna de agradecimento.
Sei que agradecer é pouco para demonstrar o quanto me sinto grata pelo sucesso deste projecto no qual acreditei e desacreditei simultaneamente.
Mas não me surge outra palavra senão um imenso OBRIGADO, para vos dizer que me fizeram crer que vale a pena lutar, mesmo que as nossas forças sejam poucas e a nossa crença infundamentada.
Adorei os momentos que passamos, as ideias que trocamos, os sorrisos que partilhamos e também o ânimo que carregamos umas nas outras para seguir em frente neste projecto.
Agradeço, enfim, o terem formado comigo este grupo que jamais teria sucesso sem um pouco de vós.
E nunca é demais, deixar também uma palavra de apreço, a todos aqueles que mais ou menos directamente também contribuiram para aumentar aquela quase inexistente confiança que existe dentro do meu ser.
Ajudaram-me todos, de uma forma ou de outra, a superar um pouco mais, essa falta de crença em mim própria, essa falta de orgulho que jamais pensei ser capaz de me surpreender.
Foi uma experiência extremamente gratificante. Embora o palco não fosse estranho para mim, desta vez teve um sabor diferente, porque o partilhei com mais alguém e senti nele as energias dos corações que batiam ao mesmo ritmo que o meu.
A todas vocês, um enorme obrigada. Sem vós, jamais teria sido capaz.
sábado, junho 04, 2005
Força
Passam-se meses que se vêem ao espelho; dias que não fazem nada senão igualarem-se; horas que se deixam cair gota a gota qual temporizador preguiçoso.
Deixam-nos cair na inércia, na preguicite de momentos que elevamos ao extremo da vulgaridade.
Porém, é quando menos esperamos que o tempo nos dá motivos para amar esses dias.
Quando estamos sós, quando parece que todo o mundo se esquece de que existimos e quando até a nossa própria vida não cessa de nos fazer correr em busca de algo que nem nós próprios sabemos bem o quê.
Talvez tudo isto seja demasiado abstracto, mas seria demasiado íntimo se o conseguisse concretizar.
Estou farta, cansada e só...
Rodeada de todos, rodeada por mim, cheia de horizontes, preenchida por caminhos.
Mas falta-me a força para seguir em frente, para não desfalecer, para enfrentar o duro caminho que me espera.
Quero encontrá-la, carregá-la e, por fim, dispará-la contra esse alvo que almejo alcançar num tempo que para mim é eterno.
segunda-feira, maio 30, 2005
Minha Vida
Porque passas, porque voas e me convences de que não irás voltar?
Voas sim, sombreando de cinzento os dias que outrora foram hoje. Não passas, porém, de uma lembrança. Não deixas, senão, uma leve brisa que me faz crer certamente que tudo aconteceu num passado que não voltará mais.
Sim, tudo tem um fim. Mas porque vem esse terminus tão drasticamente?
Hoje, aqui sentada com os olhos postos no passado, penso no quanto a minha vida me obrigou a mudar. Não foram mais do que escassos meses que agora são para mim o fio da eternidade, a essência daquilo que hoje sou.
Vida que me mudaste, me educaste qual criança desaprendida. Contigo tornei-me grande na minha pequenez; preenchida na minha solidão; feliz na minha tristeza, enfim...
Ensinaste-me a ver que o tempo não gira unicamente em volta dos outros, que os dias não têm necessariamente que ser todos iguais e que, um dia, essa monotonia de que sempre nos queixamos, acaba por tornar-se nostálgica, fruto de um tempo no qual daríamos tudo para reviver.
Hoje olho em volta e não sou mais aquela que fui. Os outros jamais serão aquilo que foram. São mais. Mais tudo. Mais meus. E daí surgir a minha força para os preservar sempre e cada vez mais...
Ajudaste-me a crer que sou forte para seguir em frente quando as minhas garras se desvanecem; a encontrar nas pequenas coisas da vida, enormes bens aos quais me vejo forçada a agarrar. Ensinaste-me a querer ser feliz longe daqueles no qual pensei ver a minha única fonte de felicidade.
Agradeço-te, enfim a ti, minha vida, que sempre aí estiveste para mim, fazendo-me crer que nada do que foi será mais alguma vez. Mas que o amanhã é tudo aquilo que posso desejar e que, onde quer que caia, estarás sempre aí para me amparar.
quinta-feira, maio 26, 2005
Nostalgia
Nostalgia? Talvez...
Sentimento de ex-pertença de valores inadquiridos, fugidos, roubados, arrancados, despedaços...
Bens jamais recuperados.
Dores, lágrimas, sofrimento é tudo o que hoje me resta.
Saudade de um tempo que jamais serei capaz de recuperar. Lágrimas que choram momentos perdidos, de sorrisos arrancados ao vento, de gargalhadas perdidas no infinito. Alegres momentos que se perdem no fosso profundo de um presente que quero que passe, na esperança de um futuro que não tenha ocaso e que reflicta fielmente esse tempo que alguém roubou de mim.
Quem o roubou? Quem fui eu ao deixar que me arrancassem com tal raiva esses diamantes que trazia ao peito?
Diamantes sim, caídos bem junto ao coração. Valores que deixei que partissem, que fui incapaz de arrecadar.
Pedir que voltem é humilhação demais para o meu orgulho. Humilhação, porém, que ultrapassei em momentos de desespero.
Mas a maior tristeza é não obter resposta. Pedir que regressem ao meu coração, desalojado enfim. Lugar jamais ocupado por outrém. Recordações alimentadas unicamente pela certeza de um passado que foi...
O perdão existe. É um dogma que o Homem actual é incapaz de aceitar, transformado pela frieza daqueles que não sabem como a ele chegar.
Fico, enfim, preenchida na minha solidão na esperança de que regressem aqui, onde sempre viveram...
sábado, maio 21, 2005
Sonata ao Luar
Ora, poderia começar por responder à questão: «Quem sou eu?», mas não me parece que alguém esteja interessado em ouvir a resposta, ou no caso de me encontrar enganada, deixo imediatamente aqui o link para o site das cabrinhas, cujo post de seu nome "Cris" acabará por dar resposta a essa utópica questão: www.photoblog.be/somos_as_cabras.
Pensei, pois, em explicitar o porquê do título «Sonata ao Luar».
Para aqueles raros leitores que desconheçam a expressão, eu dedicar-me-ei a uma breve explicação. Ora, Sonata ao Luar é o nome de uma belíssima obra de L.W.Beethoven. E, para quem não saiba, eu dediquei uns longos 11 anos da minha curta existência à música. Nesse sentido, é fácil depreender que desde cedo a música ocupou um espaço muito reservado na minha vida. Não apenas a música que nos chega aos ouvidos das mais variadíssimas formas, mas especialmente aquela música que me tocava especialmente por ser eu a produzi-la. Quem já o experienciou é testemunha do quão emocionante é deixarmo-nos invadir por algo tão belo que nos transcende precisamente por ser fruto do nosso próprio esforço e dedicação.
O tempo foi e é, cada vez mais, escasso. Mas agradeço ter sempre sido capaz de conciliar todas as minhas ocupações no sentido de hoje me sentir enriquecida por esse fenómeno tão belo.
Amo a música da mesma forma que amo tudo e todos aqueles que deixei que entrassem na minha vida. E quero mantê-la sempre, da mesma forma que nunca quero perder aqueles de quem gosto.