Prefiro pensar que já morreste.
Prefiro ver-te renascer a acreditar que vais morrer. Mesmo. E de vez.
Não me deixes.
segunda-feira, abril 20, 2009
sábado, abril 18, 2009
Can it be possible?
Everything is starting all over again.
Will I have strenght enough?
Vou continuar a lutar por ti, meu pequeno, mas perdoa-me pelos choros em sufoco e as lágrimas que não consigo conter. Hei-de arranjar forças para recomeçar. Tudo. E de novo.
Will I have strenght enough?
Vou continuar a lutar por ti, meu pequeno, mas perdoa-me pelos choros em sufoco e as lágrimas que não consigo conter. Hei-de arranjar forças para recomeçar. Tudo. E de novo.
quinta-feira, abril 16, 2009
Ser Forte
À Sandra
Ser forte mesmo quando as ondas são altas e a praia está longe.
Ser forte mesmo quando a noite é escura e a manhã ainda dorme no hospício da imaginação.
Ser forte mesmo quando os monstros que criamos extraviam os anjos que nos guiam.
Ser forte mesmo quando o mundo nos parece virar as costas, a felicidade parece ter-se esquecido de nós, a alegria parece ter emigrado para o outro lado do planeta.
Ser forte é o que nos pedem quando as nossas asas deixam de voar, os nossos poros de respirar, os nossos olhos de abrir.
Ser forte é, enfim, a única alternativa que temos para que a fraqueza não nos leve de arrasto na batalha e a poeira não nos encha os olhos e a boca.
Cospe a poeira e abre as asas. Deste lado há quem torça por ti, quem chore como tu, quem queira que, por muito que a dor seja superior à vontade de a combater, sejas forte.
Ser forte mesmo quando as ondas são altas e a praia está longe.
Ser forte mesmo quando a noite é escura e a manhã ainda dorme no hospício da imaginação.
Ser forte mesmo quando os monstros que criamos extraviam os anjos que nos guiam.
Ser forte mesmo quando o mundo nos parece virar as costas, a felicidade parece ter-se esquecido de nós, a alegria parece ter emigrado para o outro lado do planeta.
Ser forte é o que nos pedem quando as nossas asas deixam de voar, os nossos poros de respirar, os nossos olhos de abrir.
Ser forte é, enfim, a única alternativa que temos para que a fraqueza não nos leve de arrasto na batalha e a poeira não nos encha os olhos e a boca.
Cospe a poeira e abre as asas. Deste lado há quem torça por ti, quem chore como tu, quem queira que, por muito que a dor seja superior à vontade de a combater, sejas forte.
quarta-feira, abril 15, 2009
Roleta da Vida

Há, na vida, uma roleta mágica cujo girar que não depende de mim. Nem de ti.
Algo ou alguém que desconhemos e cujo poder jamais seremos capazes de domar lidera a conduta dos acontecimentos, o atropelar de coisas boas e más que se vão sucedendo a cada caminhar.
Como numa roleta da sorte, em que sou forçada a girar os números no sentido contrário à minha força e a favor da minha vontade, apostei toda a minha força em ti, na tua vida.
Dei, em tua função, mais do que pensei ser capaz. Dei noites sem dormir, batidas descompassadas de coração, dias inteiros de esperança, preces a favor da tua recuperação.
Como num casino em que a vida comanda a sorte, apostei toda a minha felicidade em ti. Dei mais do que poderia imaginar, mais do que as minhas forças poderiam aguentar. Dei o melhor de mim, aboli barreiras materiais para te salvar. Viveste mais um mês. Não me abandones agora. Vou continuar a lutar por ti, Leo.
terça-feira, março 31, 2009
Livro como destino
Terminei ontem de ler "A vida num sopro" de José Rodrigues dos Santos.
Detesto o sentimento que me invade de cada vez que leio a última página de um livro.
Sinto que, durante dias, ele foi como que um companheiro leal nas últimas horas do dia. A história passa a fazer parte da nossa vida, passamos a ansiar pelo momento de ler a próxima página como se fosse a nossa própria vida que estivesse no limiar do acontecimento.
Planeamos finais, especulamos o que irá acontecer mas, ao mesmo tempo, não deixamos de nos sentir perturbados quando o autor escreve precisamente o que prevíamos.
No fundo, a história passa a ser escrita pelo nosso pensamento e pela nossa imaginação. As páginas são devoradas como leões famintos e ao mesmo tempo tentamos combater contra a fome que nos atira os olhos para o fim da página quando ainda estamos a ler o primeiro parágrafo.
"A vida num sopro" foi um desses casos. Mais de 500 páginas de uma vida condensadas em menos de um mês de leitura, em períodos de ditadura e Guerra Civil Espanhola. Mais de 500 páginas que ontem terminaram num final que se começou a desenhar óbvio nos últimos momentos, mas que eu não queria que acontecesse.
Como se o meu poder para mudar o livro fosse mais forte do que as palavras grafadas. Como se o meu poder para mudar a minha vida fosse mais forte do que o destino que está escrito.
quarta-feira, março 11, 2009
Bem vindo a casa, Leo
O Leo voltou para casa.
Depois de todas as lutas, depois de todas as lágrimas, depois de todas as esperanças perdidas.
Venceu, pelo menos até hoje. O futuro só Deus o saberá.
E eu sei que há um Deus, para lá dos instintos felinos. Um deus que é pequeno e tem garras, que tem pêlo e fala em "miau".
Sim, é quando as nossas crenças se afundam, que ele se manifesta. Esse Deus que é gato ou cão, que é homem ou mulher. Que é.
Que me fez acreditar que vale a pena chorar. Que tudo dói menos quando os dias são repletos de lágrimas.
Gostava de ser como o Leo, forte e destemido. De ser capaz de, mesmo em convalescença de uma operação que lhe roubou alguns órgãos, querer saltar muros, avançar sofás, provar a todos os outros de que tenho força de viver.
Mesmo que a vida me tenha traído, sabendo que a amo tanto.
Um obrigado muito sincero e especial a todas as palavras amigas das amigas que nunca me deixam só.
Depois de todas as lutas, depois de todas as lágrimas, depois de todas as esperanças perdidas.
Venceu, pelo menos até hoje. O futuro só Deus o saberá.
E eu sei que há um Deus, para lá dos instintos felinos. Um deus que é pequeno e tem garras, que tem pêlo e fala em "miau".
Sim, é quando as nossas crenças se afundam, que ele se manifesta. Esse Deus que é gato ou cão, que é homem ou mulher. Que é.
Que me fez acreditar que vale a pena chorar. Que tudo dói menos quando os dias são repletos de lágrimas.
Gostava de ser como o Leo, forte e destemido. De ser capaz de, mesmo em convalescença de uma operação que lhe roubou alguns órgãos, querer saltar muros, avançar sofás, provar a todos os outros de que tenho força de viver.
Mesmo que a vida me tenha traído, sabendo que a amo tanto.
Um obrigado muito sincero e especial a todas as palavras amigas das amigas que nunca me deixam só.
segunda-feira, março 09, 2009
Nova cara
Nova cara, nova vida.
Porque nem sempre aquilo que mostramos é aquilo que dizemos sentir.
Uma nova máscara para um blogue que acompanha uma vida inteira de paixões e desalentos.
O meu espaço, o meu cantinho, a minha vida em palavras.
Porque nem sempre aquilo que mostramos é aquilo que dizemos sentir.
Uma nova máscara para um blogue que acompanha uma vida inteira de paixões e desalentos.
O meu espaço, o meu cantinho, a minha vida em palavras.
sexta-feira, março 06, 2009
Esperança

Pedem-me que tenha esperança.
É uma luz ao fundo do túnel, uma chama acesa que não se apaga nem com a rajada de vento mais forte.
É uma crença infinita, uma réstea de fé.
Uma vontade louca de não perder ligação, de não deixar cair a acreditação, de não permitir que morra algo em que se crê.
Existe e está bem viva em quem acredita. Cintila e ilumina as mentes desesperadas de quem sente falta de se prender a algo que combata a tristeza.
Ela é tudo menos a tristeza. Ela existe enquanto a tristeza ganha terreno. Ela luta contra o sorriso que se esvai, a lágrima que cai, a dor que não se vai.
Ela é forte. E é dura, mesmo que seja apenas a luz que ilumina no fundo do túnel.
É tudo isto, desde que exista.
Porque quando não existe é apenas "cinza, pó e nada", é apenas a vontade de acreditar que ninguém tem, a vontade de ter fé, de não deixar morrer aquilo que se sabe que jamais viverá.
Pedem-me que tenha esperança.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Sorte
Há quem diga que se faz. Eu prefiro acreditar que alguém a faz por mim e que está desenhada há muito tempo num caminho interno que não consigo ver. Entregar-se à sua sorte é resignar-se perante aquilo que a vida reserva. Nunca fui de baixar os braços, a não ser por um só dia, quando as forças me falham e me escondo nos lençóis quentes da minha cama por umas horas. Depois, como se alguma força suprema também se escondesse, rejuvenesço e saio fortalecida, com novas garras para enfrentar a sorte que me espera.
Desde o início de 2009 que me sinto entregue à minha sorte. Penso que deveria ter lutado contra ela, agora acredito que já é tarde. Desde uma multa no carro ultrapassada por uma situação no mínimo embaraçosa, passando por arranhões no mesmo carro e terminando com um pequeno acidente, sem culpa, mas para o qual não me chegou o susto, vejo-me hoje desamparada e sem forças para encarar o que me está a acontecer.
De novo o Leo. As esperanças de que ele melhorasse foram-se avolumando nos últimos dias, fui ganhando coragem para acreditar que seria ontem "o" dia. E era. Se novamente a sorte não o traísse. A ele e a mim. Voltou a piorar.
Com tudo isto, a minha vida parou de girar em torno de mim, da minha ambição por encontrar uma ocupação mais definitiva do que o Audiência. Parece que, de repente, tudo deixou de fazer um sentido claro. Acordo a pensar que hoje será um dia novo e que o Leo vai voltar para casa e quase nem reflicto sobre aquilo que me trouxe cá. Estou feliz com a minha condição? Será que já não procuro um trabalho estável, uma vida futura, um aconchego emocional?
Não. Hoje só quero que ele não sofra, só não me quero sentir culpada. Só quero estar entregue à sorte que me traiu, ao azar no qual não creio e a mim própria, em que já não sei se acredito.
Não sou a Cris que me conheço, a Cris que todos conhecem. Deixem-me amargar a minha falta de sorte, deixem-me acreditar que tudo vai passar. E por favor, aqueçam-me os lençóis que são só meus. Hoje não quero ser eu. Quero ganhar a minha sorte.
Desde o início de 2009 que me sinto entregue à minha sorte. Penso que deveria ter lutado contra ela, agora acredito que já é tarde. Desde uma multa no carro ultrapassada por uma situação no mínimo embaraçosa, passando por arranhões no mesmo carro e terminando com um pequeno acidente, sem culpa, mas para o qual não me chegou o susto, vejo-me hoje desamparada e sem forças para encarar o que me está a acontecer.
De novo o Leo. As esperanças de que ele melhorasse foram-se avolumando nos últimos dias, fui ganhando coragem para acreditar que seria ontem "o" dia. E era. Se novamente a sorte não o traísse. A ele e a mim. Voltou a piorar.
Com tudo isto, a minha vida parou de girar em torno de mim, da minha ambição por encontrar uma ocupação mais definitiva do que o Audiência. Parece que, de repente, tudo deixou de fazer um sentido claro. Acordo a pensar que hoje será um dia novo e que o Leo vai voltar para casa e quase nem reflicto sobre aquilo que me trouxe cá. Estou feliz com a minha condição? Será que já não procuro um trabalho estável, uma vida futura, um aconchego emocional?
Não. Hoje só quero que ele não sofra, só não me quero sentir culpada. Só quero estar entregue à sorte que me traiu, ao azar no qual não creio e a mim própria, em que já não sei se acredito.
Não sou a Cris que me conheço, a Cris que todos conhecem. Deixem-me amargar a minha falta de sorte, deixem-me acreditar que tudo vai passar. E por favor, aqueçam-me os lençóis que são só meus. Hoje não quero ser eu. Quero ganhar a minha sorte.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Só quem os tem percebe do que falo
A minha casa é grande como o sol. No pátio, há jardins e árvores com flores que nascem na Primavera. Os raios são quentes no Inverno frio e as sombras são refrescantes quando o calor do Verão aperta.É o meu habitat natural. Sempre aqui vivi. Vi, de perto, as transformações que sofreu. De casa agrícola, velha e desconfortável, foi-se tornando, ao longo dos anos, num lugar onde dá gosto viver. Diria que é digna de ser vista, digna de ser admirada. Como já disse, é grande. Tão grande que só poderia dar felicidade a quem nela vive.
Desde pequena que ouço outros dizerem que a casa é tão grande e tão espaçosa que podia dar felicidade a um animal de estimação. Um cão. Nunca me interessou. Eu até corro de medo quando vejo um. Por vezes, na ternura da infância, costumava imitar um cão solitário e choroso, fazendo pequenos rugidos e sons de lamúria deitada no chão. 

"Oh pai! Gostava de ter um cãozinho". A resposta sempre foi negativa, mas para ser sincera também nunca me incomodou muito. No fundo, não sabia se realmente gostava daquilo que pedia. Acho que, na verdade, não o queria.
Foi numa das fases de crescimento da minha casa, quando os quartos passaram de velhos e muitos para poucos e luxuosos que me mudei para Braga. Foi lá que comecei a contactar com animais, nomeadamente com o gato de uma grande amiga que Braga me deu.
Era isso. Acho que queria um gato. E o gato apareceu na minha vida. Estávamos em Junho de 2006 e era véspera dos meus anos.
O Leo apareceu para nunca mais me deixar.
Medo
Acredito que os animais têm o seu mundo, que é compatível com o nosso, mas que não é completamente conciliável com o nosso. A irracionalidade deles sobrepõe-se à nossa racionalidade na altura de se separarem as coisas. Porque nós queremos que eles nos percebam e nos obedeçam. Porque eles sabem que nos podem desobedecer, se quiserem, e continuarão a ter razão. Porque são animais. Porque não são pessoas.
O Leo adoeceu, esta semana, pela segunda vez. Levei-o de imediato ao veterinário quando me apercebi que o comportamento dele não estava normal. Depois de quatro horas no consultório, de muitas lágrimas minhas, tive que deixar o Leo internado, a soro, num cubículo rodeado de grades.
Não morreu. Fiquei feliz. Mas sofreu. De quem será a culpa?
Sofreu ele e sofri eu por ter assistido a toda aquela tentativa de salvamento. Sabia, no momento em que chorava de pena dele, que não se tratava de uma pessoa, mas de um animal. Mas nascerão eles para sofrer?
A dor que mais dói é a impotência para mudar o sofrimento dos outros. E nessa altura, sim. Eu soube que o Leo dependia de mim. De mim, da medicina e da insistência da médica que o curava.
Sim, Leo. Nunca irás entender o que sinto por saber que sofres. Mas saberá, alguém, aquilo que sentem realmente aqueles que os amam?
Há dias, em conversa com uma pessoa, fui ridicularizada por chorar e andar cabisbaixa por causa de um gato. O meu pai diz-me imensas vezes que tenho que saber separar as águas e estar preparada para me afastar dele. Mas só quem os tem percebe do que falo. E de uma coisa estou certa: quem não ama os animais é incapaz de amar quem quer que seja.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Viver
Percorrer caminhos ambíguos, ora tristes, ora alegres, ora desconhecidos, ora os mesmos de sempre.
Viver na incerteza de um amanhã incerto, de pedras de calçada ténues e molhadas pela chuva do amanhecer.
Viver para esquecer o passado, para crer no devir, para mudar o que não se é e pensar no que se quer ser.
Viver para ver o que está para acontecer. Para sorrir, para chorar, para animar.
Viver, enfim, para ver a vida não morrer. Para ver a vida mudar. Para viver uma vida que é minha e tua.
Viver por ti, por mim. Por aquilo que não somos e gostaríamos de ser. Por aquilo que ambos sabemos que jamais seremos. Por aquilo que temos a certeza que sempre iremos ser.
Viver para ver crescer outros, para ver entristecer os que amamos, para chorar com eles, para dormir com eles, para amá-los.
Viver, enfim, para não morrer.
Porque a vida é uma eterna fauna de dores, alegrias e angústias saudáveis. Porque a vida é uma morte constante.
Viver na incerteza de um amanhã incerto, de pedras de calçada ténues e molhadas pela chuva do amanhecer.
Viver para esquecer o passado, para crer no devir, para mudar o que não se é e pensar no que se quer ser.
Viver para ver o que está para acontecer. Para sorrir, para chorar, para animar.
Viver, enfim, para ver a vida não morrer. Para ver a vida mudar. Para viver uma vida que é minha e tua.
Viver por ti, por mim. Por aquilo que não somos e gostaríamos de ser. Por aquilo que ambos sabemos que jamais seremos. Por aquilo que temos a certeza que sempre iremos ser.
Viver para ver crescer outros, para ver entristecer os que amamos, para chorar com eles, para dormir com eles, para amá-los.
Viver, enfim, para não morrer.
Porque a vida é uma eterna fauna de dores, alegrias e angústias saudáveis. Porque a vida é uma morte constante.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Legos. Lembro-me deles?

Lembram-se dos Legos?
Eram peças amarelas, vermelhas, azuis, brancas e pretas. Sozinhas não valiam nada, mas juntas eram capazes de transformam uma autêntica confusão de pedaços de plástico em construções inimagináveis e admiráveis. Eram infinitas, coloridas e tão engraçadas...
Eu tinha um balde inteiro cheio delas. Entretinha-me horas sem fim a dar-lhes um sentido. Nunca os pedaços soltos me deram rigor. Sempre gostei de dar um sentido a tudo na vida.
Tinha 3, 4, 5 anos. Tinha capacidade de construir coisas, de edificar sonhos, de impedir que se destruíssem.
Passaram quase 20 anos. A caixa de legos espera-me, num canto bem guardado da minha casa e hoje penso se ainda terei capacidade para a reconstruir. Farão, hoje, aquelas peças algum sentido para mim? Serei ainda capaz de evitar que as destruam?
Os meus sonhos, hoje, morrem à nascença. Matam-nos sem que tenha tempo de criar um escudo de legos que os protejam. Calcam-nos sem que tenha tempo de chorar ou barafustar por derrubarem o meu trabalho de horas, de anos. Os meus sonhos, hoje, são como os legos que se espalham pelo chão da sala de estar e se escondem por debaixo dos sofás, que a minha mãe só encontra quando vai aspirar. Só a minha mãe encontra os meus sonhos perdidos, debaixo do sofá, carregaos de pó.
Os meus sonhos, hoje, podem ser aspirados por outros e não apenas por mim. Os meus sonhos são como os legos que hoje se constroem. Trazem livro de instrução em linguagem uniforme. Têm regras para serem cumpridos, podem ser lidos por todos. Podem ser meus e dos outros. Não podem ser só meus.
Hoje, os legos não são universais. São grandes e pequenos mas não encaixam naqueles que aguardam há anos na velha caixa vermelha em cima do roupeiro na despensa de minha casa. Não encaixam. Não fazem sentido.
São velhos sonhos adormecidos no canto da minha memória.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Boneco de Neve: caem flocos na minha casa

Olho a janela e caem flocos leves e brancos como pedaços de algodão. No chão, são gotas frias de água, como chuva.
Pela primeira vez neva na minha terra e em quase todas as cidades do Norte do país.
Neva também na minha mente, regelando pedaços da minha imaginação esquecidos pelo tempo. Neva a incerteza, a dúvida, o medo do futuro. A ameaça da inércia, o temor das respostas negativas.
Por um lado, o descanso merecido. Por outro, as vozes que assombram e remontam àquilo que sou, àquilo que não sou e àquilo que não sei se algum dia virei a ser.
Sou feliz por receber, finalmente, um minuto de descanso. Triste porque o gelo que penetra a imaginação ameaça apoderar-se também do mais íntimo de mim. Daquilo que só guardo para dar aos outros. Tenho medo que a neve congele a minha essência, que se esqueça de regelar o medo.
Tenho medo, sim. Que me corrompa os pensamentos e a vontade de viver. A força de lutar e a coragem para enfrentar aquilo que não sei se algum dia virei a ser.
terça-feira, novembro 18, 2008
Na Segunda Pessoa
Quantas vezes é que nos vemos em segunda pessoa?
Tens frio na noite e medo do escuro
Não saltas aflito de cima do muro
Tens medo e coragem, não sabes ao certo
No meio do nada há um lugar incerto
Avanças, recuas, dás mais um palpite
A incerteza abre-te o apetite
Não fiques parado no meio da estrada
Apanha boleia para qualquer morada
Abre uma janela deixa a luz entrar
Talvez haja alguém que te possa encontrar
Acordas devagar para não te assustares
As coisas nem sempre estão nos seus lugares
Tens uma desculpa uma frase batida
Improvisas um sonho à tua medida
Reages contido ao teu coração
Pois cabe-te tudo na palma da mão
Não fiques parado no meio da estrada
Apanha boleia para qualquer morada
Abre uma janela deixa a luz entrar
Talvez haja alguém que te possa encontrar
Classificados
Tens frio na noite e medo do escuro
Não saltas aflito de cima do muro
Tens medo e coragem, não sabes ao certo
No meio do nada há um lugar incerto
Avanças, recuas, dás mais um palpite
A incerteza abre-te o apetite
Não fiques parado no meio da estrada
Apanha boleia para qualquer morada
Abre uma janela deixa a luz entrar
Talvez haja alguém que te possa encontrar
Acordas devagar para não te assustares
As coisas nem sempre estão nos seus lugares
Tens uma desculpa uma frase batida
Improvisas um sonho à tua medida
Reages contido ao teu coração
Pois cabe-te tudo na palma da mão
Não fiques parado no meio da estrada
Apanha boleia para qualquer morada
Abre uma janela deixa a luz entrar
Talvez haja alguém que te possa encontrar
Classificados
quarta-feira, novembro 05, 2008
Sonhos
Ontem fui ver, pela segunda vez, o espectáculo do La Féria "Um Violino no Telhado". De cada vez que experimento entrar naquela sala e ver toda aquela magia, cada vez tenho mais certeza de que a minha vida não vive sem música.Frequentei a Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP) durante 11 anos. Confesso que não me dava muito bem com aquele ambiente. Até admito que cheguei a pensar desistir porque não mantinha muitas relações sociais lá dentro. De certo modo nunca cheguei a perceber bem o porquê. Nunca tive qualquer dificuldade de relacionamento, sempre me entendi bem com todo o tipo de pessoas. Mas lá, vivia uma espécie de solidão que me perturbava e que me roubava, muitas vezes, a vontade de lá entrar.
Mas, no fundo, sabia que algo mais forte do que eu me fazia lá andar.
De cada vez que vejo os espectáculos do La Feria e neles reconheço uma e outra cara que frequentaram a AMVP aquando a mim sinto tristeza por nunca ter encaminhado a minha vida nesse sentido.
Um dia hei-de vingar-me na música por todas as tristezas que o jornalismo me vai dando. Prometi a mim mesma que hei-de concluir o curso, fazer as três disciplinas que me faltam e entrar numa classe de canto.
Nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos.
E sabem quando sabemos que são esses os nossos sonhos? Quando a emoção é tanta que quase nos sufoca ao pensarmos neles.
terça-feira, outubro 14, 2008
O "Mono"

Tenho andado por aqui. Porque não há tempo para pensar em sentimentos, em desilusões, em monotonias e rotinas. Preferia que esse tempo nunca surgisse, que estes dias fossem sempre repletos de energia e ocupação. Mas não são.
Ontem senti-me um elemento da decoração. Um "mono", como chama a minha mãe àquelas coisas velhas que andam lá por casa e que já não têm utilidade nenhuma senão... ocupar espaço.
Acho que é isso que sou, às vezes, no Público.
Sabem porque é que dói?
Porque é só aqui que me sinto assim. Não estou habituada, é verdade. Em tudo, na vida, sinto ter alguma utilidade. Não estava preparada para passar ao lado das coisas úteis.
quarta-feira, setembro 17, 2008
Público...
Os dias no Público são assim...
Alegres e tristes
Stressantes e monótonos.
Estranhos e ao mesmo tempo familiares.
Assustadores e ao mesmo tempo aliciantes.
É apenas a quinta vez que entro nesta redacção, me sento nesta cadeira e olho toda esta gente. É incrível como, de repente, passamos do oito ao oitenta ou do cem ao zero. Um dia pode vestir-se de amarelo, verde ou azul. Dão-me uma fotolegenda de reciclagem e dizem que gostaram do meu texto. Dizem-me que tenho que apanhar um táxi e encho-me de coragem para o fazer. Saio às 21h da redacção exausta, de rastos mas cheia de alegria. Senti-me útil e eficaz mesmo que a cerca de 1h de conversa com duas pessoas importantes apenas tenha cabido em 600 caracteres de texto.
Utilidade.
Palavra que passou a fazer parte do meu léxico pessoal nos últimos dias. Sentir-me útil, nem que seja para mil caracteres num jornal de 35 páginas é ultimamente a maior felicidade que me podem dar.
Nem que, para isso, tenha que lutar contra o stress, desesperar de tédio, procurar fazer o melhor e acabar por sair o pior... mas fazer!
Seja o que for... fazer!
Alegres e tristes
Stressantes e monótonos.
Estranhos e ao mesmo tempo familiares.
Assustadores e ao mesmo tempo aliciantes.
É apenas a quinta vez que entro nesta redacção, me sento nesta cadeira e olho toda esta gente. É incrível como, de repente, passamos do oito ao oitenta ou do cem ao zero. Um dia pode vestir-se de amarelo, verde ou azul. Dão-me uma fotolegenda de reciclagem e dizem que gostaram do meu texto. Dizem-me que tenho que apanhar um táxi e encho-me de coragem para o fazer. Saio às 21h da redacção exausta, de rastos mas cheia de alegria. Senti-me útil e eficaz mesmo que a cerca de 1h de conversa com duas pessoas importantes apenas tenha cabido em 600 caracteres de texto.
Utilidade.
Palavra que passou a fazer parte do meu léxico pessoal nos últimos dias. Sentir-me útil, nem que seja para mil caracteres num jornal de 35 páginas é ultimamente a maior felicidade que me podem dar.
Nem que, para isso, tenha que lutar contra o stress, desesperar de tédio, procurar fazer o melhor e acabar por sair o pior... mas fazer!
Seja o que for... fazer!
quinta-feira, agosto 21, 2008
Aquilo que vai dentro.. do Cemitério de Pianos

Ao meu irmão
As férias foram assim...
Submersas entre palavras soltas, ventos de leste e o Mar Mediterrâneo.
O cascalho da areia confunde-se com as peles brancas que anseiam bronzear.
Precisava de descansar, de repousar e de pensar.
Nada do que previ acabou por acontecer porque estava, de facto, cansada...
Não quis pensar, não quis reflectir nem ansear.
O que será, será. O que estiver para vir, que venha...
Hei-de encontrar forças para o enfrentar, hei-de saber acordar deste estado de imersão onde me encontro...
Pela primeira vez, em muitos anos, só li um livro durante as férias.
Um livro que me ocupou mais de dez dias de reflexão. Que entrou na minha vida quase por acaso, que foi dando um novo sentido aos passeios de terceira idade a que fui forçada a ir durante o mês de Julho.
Nesses dias fui conhecendo a história fictícia de Francisco Lázaro. Poucos se lembrarão dele.
Há coisas que surgem na vida por acaso mas, ao longo do percurso, começam a fazer sentido de uma forma tremendamente alucinante.
À medida que conhecia a história de um jovem maratonista e entrava em todos os pensamentos que o José Luís Peixoto lhe imaginou durante a prova dos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1920, fui imaginando o meu irmão a lutar pelo sonho que agora concretizou.
No dia em que os Jogos Olímpicos de Pequim estreavam, também a notícia que todos esperavamos mas ninguém queria receber, acabaria por surgir.
Terminar as férias mais cedo não foi nada comparado com o final trágico do Cemitério de Pianos.
Que orgulho que eu tenho em ti. Oxalá algum dia alguém possa sentir por mim aquilo que vai cá dentro...
segunda-feira, agosto 18, 2008
100
É a centésima vez que aqui escrevo.Poderia ser um número considerável se não tivesse dado este blog à luz há mais de três anos.
Poderia escrever todos os dias. Todas as horas. Não seria impossível. Há quem o faça.
Mas como uma mãe que vê o filho pela primeira vez e lhe traça o destino à primeira vista, também eu decidi que este espaço seria de entrega aos momentos marcantes. Àqueles que merecem ser descritos, àqueles que me fazem bem descrever.
Poderia tentar enganar-vos e dizer que se não escrevo mais é por falta de tempo. Por vezes é mais do que isso. Falta de vontade. Falta de força de relembrar os momentos. Falta de coragem para os contar. Falta de garras para encarar que, ou escrevo para ninguém, ou quem me lê não dá feedback.
A todos os que estão desse lado, obrigada por me lerem há 100 publicações.
sexta-feira, julho 25, 2008
Deixar fluir os pensamentos
Ouvia ontem esta música enquanto os meus olhos se fecharam para um momento de aberrações pacíficas
..
..
Por detrás da consciência, por entre os olhos cansados, por entre as pálpebras cerradas e por entre a música calma...
Momento de paz, de asas de imaginação, de abstracção quase total, de quase tudo o que é quase mundano...
Pensar... deixar-se levar... entregar-se de corpo e alma a animais sem pernas, a homens em bicicletas gigantes...
Imagens que se atropelam por entre sonhos ilógicos, momentos desconexos, objectos irreais...
Cadências rítmicas e perfeitas, inconscientes mas constantes, desprendidas mas agarradas, superfíciais mas profundas...
Sonhar... meia acordada e meia adormecida, meia confusa e meia consciente...
Mas sonhar. Sonhar sem pensar que se sonha. Entregar-se sem dó nem vontade de permanecer preso.
Abstrair-se...
Deixar vir tudo o que não se quer, ver tudo o que não faz sentido.
Mas compreender que às vezes, o ilógico que reside cá dentro, o idiota que está perdido no àmago do inconsciente...
Também tem direito a existir.
Deixar fluir um pensamento irreal... Quantas vezes não o impedimos?

