quarta-feira, junho 21, 2006

Palavras para quê?

quinta-feira, junho 15, 2006

Epicentro no Coração

A minha porta fechou-se aqui. Fechaste-a atrás de ti,
Tempo passado...
Saudade que me aperta a dor que bate cá dentro.
Recordação dos momentos de alegria que partilhavamos.
Tristeza que palpita em momentos de agonia.
Que vêm e vão como os barcos...
Vejo-vos partirem e espero ansiosa como a noiva do marinheiro.
Viúva precoce, futuro que não virá...
Turbilhão de pensamentos que me atraiçoam a mente.
Felicidade que tenho mas que por vezes vive camuflada na insensatez do dia que não passa...

Tudo isto me bate aqui como um tremor...
Que abana, abala, mas não quebra.
Que tem o seu epicentro aqui... no meu coração.

sábado, maio 20, 2006

Carrossel da Vida

Soa a campainha.
Precipitamo-nos todos na direcção do lugar que nos dará maior grau de adrenalina.
Descem as protecções de segurança e alguém vem confirmar se estão realmente cerradas.
O vento começa a bater-nos na cara, sentimos a pressão que nos empurra para baixo e então recordamo-nos da placa que desaconselhava o embarque a cardíacos.
Arrependemo-nos .
Mas já é tarde demais.
Já lá estamos dentro e não somos os únicos.
A subida é lenta, mas em breve precipitamo-nos para um abismo que não podemos ver porque a velocidade é tanta que parece golpear-nos os olhos à navalha. O coração bate mas às vezes parece que quer parar.
Sobe e desce o comboio, mas curiosamente a subida é sempre mais lenta do que a descida. E se queremos lá ficar em cima para apreciar a altitude e a sensação de superioridade, então é tarde demais porque logo descemos numa loucura que nem nós conseguimos controlar.
Vamos todos. Mas apenas alguns voltam...
Voltam os mais fortes...
São sempre esses os que ganham,
A força e a coragem do carrossel da vida.

domingo, maio 14, 2006

Asas


Hoje perdi as asas.
Já não posso nem sei voar.
Aterrei aqui onde já só existo eu
E a incerteza do dia que há-de chegar.

Olhas-me nesse sorriso belo e vago. Soltas as tuas asas, ensinas-me a voar. Mas o mundo continua triste visto de cima. Uma mancha lacrimosa caiu sobre ele e escorre sobre mim.
Caio e reconheço que nada me resta senão esperar.
Esperar no desespero de perder a liberdade de planar sobre tudo e sobre todos.
Menos sobre ti...

Sorriso belo,
Sorriso vago.

sábado, abril 01, 2006

Futuro

Odeio a crueldade com que me apunhalas o ventre com a faca do destino que não me faz sangrar.
Odeio a incerteza dos teus dias que passam sem nunca passar.
Odeio ter que acordar na hora em que não vais acontecer.
Odeio a tua existência maligna que me ameaça corroer.

segunda-feira, março 20, 2006

"Não sabemos de nada"


Chamam-lhe Tratado de Bolonha.
Dizem-nos que vamos ser prejudicados. Ou pior, dizem-nos que vamos ser os mais prejudicados.
Perguntamos o que é, respondem-nos que são uma série de alterações: 3+2 (um belo somatório que resulta num curso de 5 anos em que os finalistas saem já com mestrado), disciplinas semestrais, componente prática a integrar os primeiros anos de licenciatura, etc.
Tudo o que qualquer um de nós sempre sonhou... Mas, que pena, não é para nós!
Perguntamos se vamos lucrar com isso, respondem-nos que podemos lançar uma proposta mas advertem-nos de que a proposta do próprio Director do Departamento foi recusada pelos "maiorais". Mas mesmo assim acreditamos que ainda podemos mudar o mundo...
E em nós... Será que alguém está a pensar em nós, a não sermos...
Nós?
Mas será que alguém é capaz de nos fornecer alguma informação que nos ofereça alguma estabilidade, que nos diga o que fazer?
"- Sabemos que isto é preocupante para vocês, mas não podemos dizer nada porque, de facto, não sabemos de nada."
Então porque é que se meteram nisto?

quarta-feira, março 15, 2006

Não te disse Adeus

Corro para o lado oposto, olho pela janela e não te consigo ver. As imagens começam a atropelar-se e a afogar-se nas lágrimas que os meus olhos não conseguem deter. Olho em volta e sinto-me observada.
Choro.
Quero sair mas uma força agarra-me e impede-me de transpor essa barreira que me afasta agora para bem longe.
Choro.
Todos me olham e sinto vontade de chorar ainda mais, de deixar de prender os soluços que ameaçam sufocar-me. Fecho os olhos e vejo-te chegar, procurar-me, imaginar o que terá acontecido, o que terá a vida reservado para nós. Hoje ela decidiu separar-nos com a espada cruel de não nos dar sequer o amparo da despedida.
Choro.
Sei que voltarei em sentido oposto. Sei que vou sorrir ao olhar a paisagem da janela e ao ver-te acenar-me, os teus olhos risonhos recebendo-me de volta.
Mas enquanto isso, lamento a partida sem a doçura do adeus que hoje me empurra no tempo de volta para aquele momento em que não me viste partir.

segunda-feira, março 06, 2006

Taras e Manias

Embora já tenha sido desafiada há bastante tempo, só hoje senti capacidade de comunicar ao mundo algumas "manias" que me possam tornar de alguma forma diferente do restante comum dos mortais. Desde já agradeço a quem de mim se lembrou, deixando claro que o atraso não terá sido jamais por negligência.

Regulamento: "Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

1ª Mania: Falar rápido. E de tal forma que se torna incontrolável. Sei que sou prejudicada por isso, principalmente porque há alturas em que nem eu própria sou capaz de entender o que digo. Não se trata de qualquer deficiência ou deslexia, mas alguém me construiu assim. Por outro lado, já ouvi comentários de que esta "mania" (se é que assim pode ser considerada) acaba por influênciar aqueles que convivem comigo frequentemente que, além de se habituarem a raciocinar a mil à hora para compreender a minha linguagem, acabam por começar a produzir as palavras com a mesma rapidez. Parece impossível, mas raramente consigo controlar...

2ª Mania: As doenças. Pode ser uma simples picada de mosquito, um alimento menos aceitável pelo meu estômago ou a minha cabeça que sentiu necessidade de me "chatear". Vou morrer, não duro mais do que um mês... Enfim... (Ao menos desta tomo consciência)

3ª Mania: Cumprir horários. Não consigo viver com calma nem muito menos entender os que o fazem. Compromisso é compromisso mesmo para a situação mais insignificante. Horas foram feitas para ser cumpridas e se eu acordo com tempo para fazer tudo o planeado para esse dia, porque é que tenho que alterar os meus planos devido ao atraso dos outros? Não aceito ter que depender das "incompetências" dos restantes, principalmente quando me esforço por cumprir uma hora estabelecida e sou a única a fazê-lo!

4ª Mania: Pastilhas Elásticas. São a minha salvação em qualquer que seja o momento. Não passo sem elas. Ajudam-me à digestão (lá está a consonância com a 2ª Mania), a amparar o stress, a ocupar o tempo ou simplesmente a exercitar o maxilar...

5ª Mania: Contar os dias que faltam para o final da semana. Não consigo evitar. Deixar o meu Home Sweet Home é sempre difícil, há uma grande parte de mim que fica cá mesmo que já me tenha convencido de que passo mais tempo em casa do que fora. É, mais uma vez, inevitável! Penso que jamais vou ultrapassar esta necessidade de ver os dias a andar ao avesso.

quinta-feira, março 02, 2006

"Bom dia, Boa tarde e Boa noite"

As minhas viagens de comboio testemunham histórias simplesmente fascinantes.
Pessoas que, tal como eu, sobrevivem a mais um dia igual a tantos outros, confrontam uma realidade criada por alguém que decide transformar o seu e o nosso dia em algo difícil de igualar.
Olho pela janela as imagens que se atropelam num turbilhão de pensamentos, os pormenores de uma beleza inigualável que se me escapam na velocidade incontornável dos carris serenos sobre os quais deslizo eu e todos os outros que agora são iguais a mim.
“ – Bom dia, boa tarde e boa noite. Escrevi o teu nome na água, coisa mais impossível não se vê, mas o teu nome é tão lindo que até na água se lê”.
Olho, estupefacta, tal como todos o fazem. O discurso prossegue numa série de versos decorados e declamados da mesma forma que o fazíamos na escola primária para as festas de Natal quando os apregoávamos de coração aberto aos olhares atentos dos nossos pais e professoras, enquanto os nossos colegas se divertiam a fazer tudo menos a prestar-nos atenção.
Hoje, também eu sou “colega” desse homem que decidiu tornar a minha viagem de sempre, um pouco especial.
Sim, também eu olhei para a janela, ignorando a sua actuação fascinante, o seu sorriso inocente e o seu andar trôpego. Fiz-me igual a todos os outros passageiros, entreolhando-se admirados, mas incapazes de soltar qualquer comentário.
Senti vontade de me levantar e de aplaudir sorrindo-lhe. Mas iria saltar à vista e tornei-me incapaz de, tal como ele, ter tentado fazer alguém feliz, neste dia igual a tantos outros.

domingo, fevereiro 26, 2006

Estranha forma de vida


Arrepio-me....
Acontece-me frequentemente olhar em profundidade e estranhar.
As faces, as vozes, as existências que me acompanham desde sempre.
São-me tão familiares e ao mesmo tempo tão distantes, inexistentes, desafiantes.
Como é que o mundo pode trair-nos através de um simples olhar?

É tudo tão efémero que chega a fugir-nos entre os dedos mesmo quando ainda é nosso...
Oxalá sejamos sempre capazes de dar valor ao que possuimos, embora esteja certa de que nunca o seremos.
Talvez esses momentos de incerteza sirvam para isso mesmo...

Para ajudar...
A dar valor...
Ao que temos...
Ao que fomos...
Ao que somos...

Estranha forma de vida...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Meu anjo

Será que me ouves? Ou serás tu apenas uma doce recordação de um pedaço da minha vida que levaste contigo?
Partiste e levaste não só a tua bondade, o teu amor, a tua força de viver... Levaste um pouco de mim e um pouco de todos aqueles que te amavam, que te guardavam no coração e que, acima de tudo, invejavam a tua força de viver, a tua raiva para combater contra as garras de um além que nunca foste incapaz de derrubar...
Eu sei, meu anjo, que me olhas e me guias na mais escura das minhas noites. Mas também sei que te entristeces e que me arrefeces quando a noite é morna, condenando-me por não te recorrer quando mais preciso. Eu sei que não partiste, que estás aí e simultaneamente aqui, dentro de mim. Mas sou fraca para combater a dor de não te querer recordar, de lutar para te ter presente e de não conseguir.
Porque me foges? És tu que ultrapassas o meu além ou serei eu que não tenho asas que me elevem a ti? Se pedir perdão fosse a chave para a minha redenção, eu fá-lo-ia com toda a compaixão que te mereço. Mas o tempo que tinhamos para partilhar a nossa vida esgotou-se naquele dia em que o céu te roubou de mim.
Decido, então, fechar os olhos e ver-te: o cabelo cuidadosamente penteado, a pele rosada e aquela expressão de coragem, de quem sempre a teve para enfrentar a vida. Foste, és e serás sempre minha.
Senão na minha vida, hoje e para sempre no meu coração.

(Quem visitou o meu photoblog, provavelmente recorda-se deste post. Contudo, decidi afirmá-lo mais uma vez. Há alturas na vida em que somos incapazes de esquecer quem parte...)

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Utopia

(Foto: Olhares.com)

Toco a tua imensidão e sinto-me vazia.
Preenches-me com a forma de um ser elevado ao extremo da perfeição e horrorizas-me em agonia.
Imagino-te crescer dentro do meu peito, preencher os meus dias, mudar a minha vida. Sorris comigo e sorris-me. Fazes-me chorar...
Não te vejo, não te cheiro não te posso nem tocar.
Odeio o que sinto, como te sinto... Se te sinto...
Porque vens?

Sou enorme na tua pequenez. Toco, enfim a tua essência e morro de dor por não te poder matar...

Acordo e agradeço a Deus nunca teres vivido em mim.

És Utopia. Oxalá o sejas enquanto não te desejar.

sábado, dezembro 24, 2005

Feliz Natal

Para todos os que têm Fé:

Dá um duplo clique neste Natal!!!
Arrasta Jesus para o teu Directório principal
Guarda-o em todos os teus Arquivos pessoais
Selecciona-o como teu documento mestre.

Que Ele seja o modelo
para Formatar a tua vida:
justifica-o e alinha-o
à direita e à esquerda,
sem quebras na tua caminhada.

Que Jesus não seja apenas um Ícone,
um Acessório,
uma Ferramenta ou um Rodapé,
mas sim o Cabeçalho, o Caps Lock,
a Barra de Rolagem do teu caminhar.

Que Ele seja a Fonte da graça...
para o teu Ambiente de Trabalho,
o Paintbrush para colorir o teu sorriso,
a Configuração da tua simpatia,
a Nova Janela...
para Visualizar o Tamanho do teu amor,

Que Jesus seja o teu Painel de Controle...
para Cancelar os teus Recuos,
Compartilhar os teus Recursos e
Acessar o coração das tuas amizades.

Copia tudo o que é bom,
Delete todos os teus Erros.
Não deixes à Margem ninguém,
Abre as Bordas do teu coração,
Remove dele o Vírus do egoísmo.

Antes de Fechar,
coloca o "Amor" nos teus Favoritos
e o teu Natal...
será o Atalho da tua felicidade!
Clica agora em OK
para Actualizar os teus Conteúdos!


Feliz Natal a todos os que visitam o meu simples Blog!

sexta-feira, novembro 18, 2005

Eu pedi Forças


"Eu pedi forças

e Deus deu-me dificuldades

Para me fazer forte.

Eu pedi sabedoria

e Deus deu-me problemas

Para resolver

Eu pedi prosperidade

e Deus deu-me cérebro

E músculos para trabalhar.

Eu pedi coragem

e Deus deu-me pessoas

Com problemas para ajudar.

Eu pedi favores

e Deus deu-me oportunidades.

Eu não recebi nada do que pedi

mas recebi tudo o que precisava."

(Revista Xis, Público, setembro 2004)

Confronto-me com esta pequena oração todos aqueles longos dias em que chego a casa estafada e a primeira coisa que faço é deitar-me para recuperar forças.
Ela está ali, olha-me, e arranca sempre um pouco mais de mim, de onde nem eu própria sei.
Tem sempre algo de novo a dizer-me, mesmo que a leia compulsivamente, mesmo que me seja impossivel deixar de a olhar, mesmo que seja sempre a mesma e que se encontre sempre no mesmo sítio.
É admirável a forma mecânica com que tendo a lê-la mesmo sabendo que já a conheço de olhos fechados.
No entanto, talvez assim não seja...
Por isso penso que ela é mágica. Que ganha vida e comunica comigo numa linguagem muda que só eu e ela compreendemos.
Admirável como há tanta coisa assim na nossa vida e à qual raramente queremos validar a existência...

domingo, outubro 23, 2005

Música no Coração

Acaricio o marfim brilhante e penso em ti...

És divino quando te sentas e tocas esse ser ao qual consegues dar vida mesmo quando morrem todos quantos o escutam. Transformas-te e transformas-me a mim que te admiro e invejo o teu mais ínfimo movimento.
És o coração que bate ao ritmo do metrónomo que não quer parar. És a nota solta que foge da partitura que só tu sabes amar. És a clave de sol que dá vida a cada colcheia que escapa dos teus dedos e repousa, enfim, no coração daqueles que se deixam tocar.
Admiro a forma como amas o timbre cruel da pauta que possuis e dás a possuir ao ouvido atento, ao coração que se deixa invadir por esse som que só tu és capaz de produzir.
Passaste até hoje ao lado do meu olhar e do meu coração. Mas sei que vivias recatado num canto que agora é só teu.
Agora sei que tens tanto para me dar, tanta melodia para me oferecer, tantas almas para fazer chorar, tantos corações para ajudar a bater...
Agora sei que irei perder se partires, mas prometo-te a ti e a mim própria que darei todo o meu coração para ser capaz de fazer uma parte daquilo que só tu sabes.
Oxalá o teu metrónomo não deixe nunca de acompanhar o tempo desta Sonata que a todos nós dá vida.
Que Deus te ajude e te dê forças para não partires e deitares por terra esse dom que eu almejava possuir: a Música no meu Coração.

sábado, outubro 01, 2005

Escrevo...

Mesmo que a minha escrita seja muda, os teus olhos cegos demais para a receberem e o teu coração incapaz de a apreender.
Escrevo porque amo a escrita, porque me proporciona essa evasão que anseio quando abro a janela e estendo as minhas pequenas asas à procura do voo...
Escrevo, mesmo que a tristeza de que quase ninguém a leia seja mais forte do que as minhas forças.
Sobra-me, enfim, uma réstea de esperança...
Hei-de escrever até que a vida me cale o coração.
É triste escrever no vazio. Mas mais triste é a dor de não ter força para o fazer...

quarta-feira, setembro 21, 2005

Falta


É uma parte de mim que ficou longe. É a certeza da distância que tende a aumentar à medida que os dias correm e se atropelam numa amalgama de horas.
Falta-me o ter-te aqui. Saber que te tenho depois de um dia estenuante. Falta-me a tua mão amiga, o teu beijo antes de dormir. Sinto que perco mesmo aquilo que tanto odeio e mesmo assim sinto falta.
Falta dos minutos de monotonia, que logo se compunham por algo que há para fazer. Falta da tua companhia, que me preenche e completa os dias vazios. Falta até das palavras menos boas, das discussões consentidas à hora do jantar. Discussões produtivas porque tu estavas lá. A refeição deixou de ser deliciosa porque me falta a voz que me obriga a alimentar, a mão que me serve, o corpo que me acompanha.
Falta-me a liberdade de fazer o que quero, o que me traz felicidade e não aquilo que sou obrigada a fazer por força das circunstâncias, para evitar a solidão e a tristeza de me sentir só. Falta-me o ser eu própria. Eu ao meu melhor. Eu ao meu mais alto nível. Desconheço aquilo que sou. Estranho-me. Não sei viver assim.
Falta-me a essência de mim. Perco-me na solidão de dias que jamais voltarão. Ou talvez voltem. Mas apenas quando esta falta deixar de me corroer. Ou então quando eu encontrar na monotnia do meu espaço, um lugar sereno onde a possa alojar e aprender a viver com a dor da sua existência.

domingo, setembro 04, 2005

Momentos


A vida é feita de momentos e é a soma de momentos perfeitos que nos emprestam o sabor da eternidade e é por isso que a amizade é o mais belo dos sentimentos, porque é o amor sem crédito nem débito, porque nem pensamos antes de falar, porque sabemos que, digamos o que dissermos, o outro que és tu e que sou eu vai perceber e aceitar tudo.
Margarida Rebelo Pinto



Disseste-me um dia que são os pormenores que fazem os momentos e eu engoli as tuas palavras, sorridente por ter sido dona daquele instante em que cantei para ti a música do Pedro, que hoje me empurra de volta ao passado, para junto de ti.
Se calhar tornei-me pouco sensível aos suspiros de frases alheias que se tornaram próprias de cada um quando se identificam com elas. Se calhar a vida incentivou-me a curvar o pescoço e a colar os olhos no chão, onde o meu campo de visão não se estende para além do meu próprio umbigo. Se calhar transformei-me em algo que nunca fui, por razões que nunca existiram e às tantas nunca deixarão de me assombrar.
Por isso, naquele dia devia ter-te dado mais atenção, devia ter meditado e não me ter limitado a engolir as tuas palavras. Se o tivesse feito, não estaria agora tão surpresa por ter concebido a mim própria o melhor momento da semana quando ontem ouvi a tua voz, e os melhores momentos da minha vida cada vez que me dás a mão, me abraças, me segredas ao ouvido nas tuas expressões angelicais, exactamente aquilo que preciso de ouvir para o meu coração acordar de vez, estremecer e me dar razões para ter a certeza de que afinal ainda vive e eu não me limito a vegetar.
Foi isso que me fizeste: colocaste um semáforo encarnado na minha existência vegetal, monótona e estática, para reacenderes o verde, a esperança de que talvez esses momentos se pudessem repetir no dia seguinte, e no outro, e no outro...
Porque tu foste o pormenor que transformou a minha vida num momento que se irá prolongar eternamente.

sábado, agosto 20, 2005

Sopro de Saudade





É unicamente quando o mar ou a terra nos separam daquilo que consideramos, efectivamente, importante que nos apercebemos do que realmente significam para nós.

És cruel. Surges quando sabes que não posso evitar-te. Mas és ao mesmo tempo cobarde porque não vens só. Revestes-te de uma espécie de camada rígida e trazes contigo um turbilhão de sentimentos e emoções que se elevam ao quadrado a cada minuto que passa.

Longe, tudo se torna inalcançável. A certeza transforma-se na nossa mais temível dúvida e aquilo que considerávamos real perde todo e qualquer contorno que se possa considerar verdadeiro.

Os sentimentos alcançam proporções desmedidas. As dúvidas desfazem-se quando até precisavamos que existissem para que pudessemos pensar nelas de cabeça fria. As certezas perdem as suas raízes e começamos a valorizar aquilo que deixamos para trás e ao qual não davamos qualquer importância.

Apercebemo-nos de que a nossa existência só dá fruto quando em contacto com as nossas verdadeiras raízes. Raízes essas que nos recusamos a regar quando possuímos capacidades para tal. Mas agora que o vento nos empurrou de encontro a uma realidade que não conhecemos, que teremos que lutar para a descobrir, lamentamos esse afastamento cruel, essa desconexão dura que acabará por nos ensinar a viver.

Saudade que vens com a maresia que penetra o meu olfacto, que me surges na noite mais escura e que me obrigas a desejar nunca ter saído de onde realmente pertenço.

Quero matar-te sem encontrar arma com a qual o fazer.

Submeto-me, então, a ti e por entre lágrimas e frustrações lamento o teres aparecido na minha vida quando menos precisava, amaldiçoo a tua existência e almejo o dia em que o sol brilhará só para mim, sem a sofreguidão do teu sopro.

segunda-feira, agosto 15, 2005

Heróis


Há quem diga que só existem nas mentes que vivem obcecadas por personagens de Bandas Desenhadas ou programas animados de infância.
Há quem creia que só nos movem quando somos crianças, quando temos necessidade de procurar algum encantamento na vida e quando somos demasiado inocentes para acreditar que existem presenças superiores que lutam e que vencem sempre, que sobrevivem a ataques armados, que roubam dos ricos para dar aos pobres e que conseguem voar em tapetes encantados...
Heróis existem, mas somos nós que lhes damos vida. Compramos as suas aventuras, animamos a sua existência. Na verdade, eles só são realmente reais porque nós cremos neles.
Há dias pensava se alguma vez acreditei em heróis. E a verdade é que não me recordo de qualquer ser capaz de tomar por inteiro a minha imaginação, de desdenhar ser como alguma princesa de um reino encantado e poder encontrar algures um príncipe que lutasse por mim, que me resgatasse no seu tapete mágico, que viesse sob a forma de morcego para me raptar na noite...
Foi então que tomei consciência de que os heróis existem, não apenas na nossa infância, mas por toda a nossa vida.
Os psicólogos infantis poderão afirmar que essa obessão ocorre unicamente durante uma fase do nosso desenvolvimento. Mas se realmente assim for, talvez eu ainda não tenha evoluído o suficiente. A fase dos "Pais Heróis" não passou nem passará jamais.
Se existe alguém no mundo que merece toda a minha admiração, esse alguém é aquele responsável por me ter dado a vida.
Admiro-os com todo o meu ser, almejo no futuro alcançar toda a felicidade que os seus sorrisos espalmam, possuir essa beleza que ultrapassa o aceitável, essa atenção que acaba sempre por vir mesmo após um dia de trabalho estenuante, de problemas que assombram os seus dias.
Se me perguntarem se existem heróis na minha vida, eu direi com toda a certeza que sim. E que possuem todas as capacidades que aqueles que vivem nos livros de Bandas Desenhadas ou nos DVDs de filmes animados. A única diferença é que estes são reais.
Vivem aqui, bem dentro da minha vida e do meu coração.
Um grande beijinho aos meus pais que adoro e que cada vez admiro mais.