quinta-feira, maio 28, 2009

Porta que se abre, janela que se fecha


Há quem diga que quando Deus nos fecha uma porta, abre-nos algures uma janela.

Na minha vida fui sempre encontrando portas abertas e sempre soube sair pela janela mais pequena quando as oportunidades se iam fechando.

À primeira vista, quando as forças se parecem desvanecer e a vontade de desistir é mais forte do que a de saltar fora, tudo parece impossível até que uma força suprema, que não sei de onde vem, me dá o impulso final.

Sempre assim foi.

Hoje sinto que me abriram portas de par em par, e o fizeram quando menos esperava, quando já não acreditava que os raios de sol pudessem voltar a raiar na pequena casa de sonhos que fui construindo ao longo da vida, ao longo do tempo.

Prefiro acreditar que a abertura das portas fez a corrente de ar bater com a janela e partir alguns dos vidros. Prefiro ter crenças de que não tarda nada tudo voltará ao que era dantes, e que as novidades que me entram pela porta possam coexistir com a alegria de uma pequena vida pela qual fui lutando ao longo dos últimos meses.

Prefiro acreditar que o meu Leo não me vai deixar ficar mal, não agora, não hoje, quando a felicidade ameaça entrar de rompante pela porta que se abre, e as angústias de meses ameaçam ir embora pela janela que se fecha.

domingo, maio 10, 2009

Brisa de vento


Sinto uma leve brisa de vento.

Deverei abrir a janela?

Ou será só o meu pensamento?

terça-feira, maio 05, 2009

Às vezes

Às vezes, um simples raio de sol é capaz de mudar o Inverno.
Uma simples gota de água é capaz de agitar o oceano.
Às vezes, um pequeno sorriso é capaaz de mandar embora a tristeza
E uma pequena palavra tem força para mudar uma vida inteira.
Às vezes, quando a nossa vida escurece e a luz parece branda e artificial,
Um simples sopro de vento é capaz de mudar as certezas, de tornar ténues as tristezas.
Às vezes. Sim, às vezes a dor é tão forte que um simples suspiro pode trazer o alívio.

sexta-feira, maio 01, 2009

Final feliz?

Hoje somos novamente as mesmas personagens do mesmo filme. Gravamos as mesmas cenas vezes sem conta e esperamos um final que queremos que seja feliz. Não como da primeira vez, não como da primeira etapa em que o gravámos. Podíamos ter desistido, podíamos ter abandonado o barco e podíamos não estar aqui hoje, agora, a viver novamente a nossa vida, a reescrever sobre linhas férteis o teu e o meu filme, o filme da nossa vida. Mas estamos. E prometo que irei lutar para que, desta vez, o final não se repita. Como nos DVDs especiais, em que podemos ver as duas faces da mesma moeda, as duas possibilidades de final. Eu não quero chorar mais. Quero escolher o final feliz. E tu?

Seremos capazes?

segunda-feira, abril 20, 2009

Prefiro mesmo. Juro.

Prefiro pensar que já morreste.

Prefiro ver-te renascer a acreditar que vais morrer. Mesmo. E de vez.

Não me deixes.

sábado, abril 18, 2009

Can it be possible?

Everything is starting all over again.

Will I have strenght enough?

Vou continuar a lutar por ti, meu pequeno, mas perdoa-me pelos choros em sufoco e as lágrimas que não consigo conter. Hei-de arranjar forças para recomeçar. Tudo. E de novo.

quinta-feira, abril 16, 2009

Ser Forte

À Sandra

Ser forte mesmo quando as ondas são altas e a praia está longe.
Ser forte mesmo quando a noite é escura e a manhã ainda dorme no hospício da imaginação.
Ser forte mesmo quando os monstros que criamos extraviam os anjos que nos guiam.
Ser forte mesmo quando o mundo nos parece virar as costas, a felicidade parece ter-se esquecido de nós, a alegria parece ter emigrado para o outro lado do planeta.
Ser forte é o que nos pedem quando as nossas asas deixam de voar, os nossos poros de respirar, os nossos olhos de abrir.
Ser forte é, enfim, a única alternativa que temos para que a fraqueza não nos leve de arrasto na batalha e a poeira não nos encha os olhos e a boca.
Cospe a poeira e abre as asas. Deste lado há quem torça por ti, quem chore como tu, quem queira que, por muito que a dor seja superior à vontade de a combater, sejas forte.

quarta-feira, abril 15, 2009

Roleta da Vida


Há, na vida, uma roleta mágica cujo girar que não depende de mim. Nem de ti.

Algo ou alguém que desconhemos e cujo poder jamais seremos capazes de domar lidera a conduta dos acontecimentos, o atropelar de coisas boas e más que se vão sucedendo a cada caminhar.

Como numa roleta da sorte, em que sou forçada a girar os números no sentido contrário à minha força e a favor da minha vontade, apostei toda a minha força em ti, na tua vida.

Dei, em tua função, mais do que pensei ser capaz. Dei noites sem dormir, batidas descompassadas de coração, dias inteiros de esperança, preces a favor da tua recuperação.

Como num casino em que a vida comanda a sorte, apostei toda a minha felicidade em ti. Dei mais do que poderia imaginar, mais do que as minhas forças poderiam aguentar. Dei o melhor de mim, aboli barreiras materiais para te salvar. Viveste mais um mês. Não me abandones agora. Vou continuar a lutar por ti, Leo.

terça-feira, março 31, 2009

Livro como destino


Terminei ontem de ler "A vida num sopro" de José Rodrigues dos Santos.

Detesto o sentimento que me invade de cada vez que leio a última página de um livro.

Sinto que, durante dias, ele foi como que um companheiro leal nas últimas horas do dia. A história passa a fazer parte da nossa vida, passamos a ansiar pelo momento de ler a próxima página como se fosse a nossa própria vida que estivesse no limiar do acontecimento.

Planeamos finais, especulamos o que irá acontecer mas, ao mesmo tempo, não deixamos de nos sentir perturbados quando o autor escreve precisamente o que prevíamos.

No fundo, a história passa a ser escrita pelo nosso pensamento e pela nossa imaginação. As páginas são devoradas como leões famintos e ao mesmo tempo tentamos combater contra a fome que nos atira os olhos para o fim da página quando ainda estamos a ler o primeiro parágrafo.

"A vida num sopro" foi um desses casos. Mais de 500 páginas de uma vida condensadas em menos de um mês de leitura, em períodos de ditadura e Guerra Civil Espanhola. Mais de 500 páginas que ontem terminaram num final que se começou a desenhar óbvio nos últimos momentos, mas que eu não queria que acontecesse.

Como se o meu poder para mudar o livro fosse mais forte do que as palavras grafadas. Como se o meu poder para mudar a minha vida fosse mais forte do que o destino que está escrito.

quarta-feira, março 11, 2009

Bem vindo a casa, Leo

O Leo voltou para casa.
Depois de todas as lutas, depois de todas as lágrimas, depois de todas as esperanças perdidas.
Venceu, pelo menos até hoje. O futuro só Deus o saberá.
E eu sei que há um Deus, para lá dos instintos felinos. Um deus que é pequeno e tem garras, que tem pêlo e fala em "miau".
Sim, é quando as nossas crenças se afundam, que ele se manifesta. Esse Deus que é gato ou cão, que é homem ou mulher. Que é.
Que me fez acreditar que vale a pena chorar. Que tudo dói menos quando os dias são repletos de lágrimas.
Gostava de ser como o Leo, forte e destemido. De ser capaz de, mesmo em convalescença de uma operação que lhe roubou alguns órgãos, querer saltar muros, avançar sofás, provar a todos os outros de que tenho força de viver.
Mesmo que a vida me tenha traído, sabendo que a amo tanto.

Um obrigado muito sincero e especial a todas as palavras amigas das amigas que nunca me deixam só.

segunda-feira, março 09, 2009

Nova cara

Nova cara, nova vida.
Porque nem sempre aquilo que mostramos é aquilo que dizemos sentir.
Uma nova máscara para um blogue que acompanha uma vida inteira de paixões e desalentos.
O meu espaço, o meu cantinho, a minha vida em palavras.

sexta-feira, março 06, 2009

Esperança


Pedem-me que tenha esperança.


É uma luz ao fundo do túnel, uma chama acesa que não se apaga nem com a rajada de vento mais forte.

É uma crença infinita, uma réstea de fé.

Uma vontade louca de não perder ligação, de não deixar cair a acreditação, de não permitir que morra algo em que se crê.

Existe e está bem viva em quem acredita. Cintila e ilumina as mentes desesperadas de quem sente falta de se prender a algo que combata a tristeza.

Ela é tudo menos a tristeza. Ela existe enquanto a tristeza ganha terreno. Ela luta contra o sorriso que se esvai, a lágrima que cai, a dor que não se vai.

Ela é forte. E é dura, mesmo que seja apenas a luz que ilumina no fundo do túnel.

É tudo isto, desde que exista.

Porque quando não existe é apenas "cinza, pó e nada", é apenas a vontade de acreditar que ninguém tem, a vontade de ter fé, de não deixar morrer aquilo que se sabe que jamais viverá.


Pedem-me que tenha esperança.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Sorte

Há quem diga que se faz. Eu prefiro acreditar que alguém a faz por mim e que está desenhada há muito tempo num caminho interno que não consigo ver. Entregar-se à sua sorte é resignar-se perante aquilo que a vida reserva. Nunca fui de baixar os braços, a não ser por um só dia, quando as forças me falham e me escondo nos lençóis quentes da minha cama por umas horas. Depois, como se alguma força suprema também se escondesse, rejuvenesço e saio fortalecida, com novas garras para enfrentar a sorte que me espera.
Desde o início de 2009 que me sinto entregue à minha sorte. Penso que deveria ter lutado contra ela, agora acredito que já é tarde. Desde uma multa no carro ultrapassada por uma situação no mínimo embaraçosa, passando por arranhões no mesmo carro e terminando com um pequeno acidente, sem culpa, mas para o qual não me chegou o susto, vejo-me hoje desamparada e sem forças para encarar o que me está a acontecer.
De novo o Leo. As esperanças de que ele melhorasse foram-se avolumando nos últimos dias, fui ganhando coragem para acreditar que seria ontem "o" dia. E era. Se novamente a sorte não o traísse. A ele e a mim. Voltou a piorar.
Com tudo isto, a minha vida parou de girar em torno de mim, da minha ambição por encontrar uma ocupação mais definitiva do que o Audiência. Parece que, de repente, tudo deixou de fazer um sentido claro. Acordo a pensar que hoje será um dia novo e que o Leo vai voltar para casa e quase nem reflicto sobre aquilo que me trouxe cá. Estou feliz com a minha condição? Será que já não procuro um trabalho estável, uma vida futura, um aconchego emocional?
Não. Hoje só quero que ele não sofra, só não me quero sentir culpada. Só quero estar entregue à sorte que me traiu, ao azar no qual não creio e a mim própria, em que já não sei se acredito.
Não sou a Cris que me conheço, a Cris que todos conhecem. Deixem-me amargar a minha falta de sorte, deixem-me acreditar que tudo vai passar. E por favor, aqueçam-me os lençóis que são só meus. Hoje não quero ser eu. Quero ganhar a minha sorte.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Só quem os tem percebe do que falo

A minha casa é grande como o sol. No pátio, há jardins e árvores com flores que nascem na Primavera. Os raios são quentes no Inverno frio e as sombras são refrescantes quando o calor do Verão aperta.

É o meu habitat natural. Sempre aqui vivi. Vi, de perto, as transformações que sofreu. De casa agrícola, velha e desconfortável, foi-se tornando, ao longo dos anos, num lugar onde dá gosto viver. Diria que é digna de ser vista, digna de ser admirada. Como já disse, é grande. Tão grande que só poderia dar felicidade a quem nela vive.

Desde pequena que ouço outros dizerem que a casa é tão grande e tão espaçosa que podia dar felicidade a um animal de estimação. Um cão. Nunca me interessou. Eu até corro de medo quando vejo um. Por vezes, na ternura da infância, costumava imitar um cão solitário e choroso, fazendo pequenos rugidos e sons de lamúria deitada no chão.

"Oh pai! Gostava de ter um cãozinho". A resposta sempre foi negativa, mas para ser sincera também nunca me incomodou muito. No fundo, não sabia se realmente gostava daquilo que pedia. Acho que, na verdade, não o queria.

Foi numa das fases de crescimento da minha casa, quando os quartos passaram de velhos e muitos para poucos e luxuosos que me mudei para Braga. Foi lá que comecei a contactar com animais, nomeadamente com o gato de uma grande amiga que Braga me deu.

Era isso. Acho que queria um gato. E o gato apareceu na minha vida. Estávamos em Junho de 2006 e era véspera dos meus anos.

O Leo apareceu para nunca mais me deixar.


Medo

Acredito que os animais têm o seu mundo, que é compatível com o nosso, mas que não é completamente conciliável com o nosso. A irracionalidade deles sobrepõe-se à nossa racionalidade na altura de se separarem as coisas. Porque nós queremos que eles nos percebam e nos obedeçam. Porque eles sabem que nos podem desobedecer, se quiserem, e continuarão a ter razão. Porque são animais. Porque não são pessoas.

É fácil falar.

O Leo adoeceu, esta semana, pela segunda vez. Levei-o de imediato ao veterinário quando me apercebi que o comportamento dele não estava normal. Depois de quatro horas no consultório, de muitas lágrimas minhas, tive que deixar o Leo internado, a soro, num cubículo rodeado de grades.

Não morreu. Fiquei feliz. Mas sofreu. De quem será a culpa?

Sofreu ele e sofri eu por ter assistido a toda aquela tentativa de salvamento. Sabia, no momento em que chorava de pena dele, que não se tratava de uma pessoa, mas de um animal. Mas nascerão eles para sofrer?

Nascerá algum de nós para ver sofrer os outros?

A dor que mais dói é a impotência para mudar o sofrimento dos outros. E nessa altura, sim. Eu soube que o Leo dependia de mim. De mim, da medicina e da insistência da médica que o curava.

Sim, Leo. Nunca irás entender o que sinto por saber que sofres. Mas saberá, alguém, aquilo que sentem realmente aqueles que os amam?

Há dias, em conversa com uma pessoa, fui ridicularizada por chorar e andar cabisbaixa por causa de um gato. O meu pai diz-me imensas vezes que tenho que saber separar as águas e estar preparada para me afastar dele. Mas só quem os tem percebe do que falo. E de uma coisa estou certa: quem não ama os animais é incapaz de amar quem quer que seja.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Viver

Percorrer caminhos ambíguos, ora tristes, ora alegres, ora desconhecidos, ora os mesmos de sempre.
Viver na incerteza de um amanhã incerto, de pedras de calçada ténues e molhadas pela chuva do amanhecer.
Viver para esquecer o passado, para crer no devir, para mudar o que não se é e pensar no que se quer ser.
Viver para ver o que está para acontecer. Para sorrir, para chorar, para animar.
Viver, enfim, para ver a vida não morrer. Para ver a vida mudar. Para viver uma vida que é minha e tua.
Viver por ti, por mim. Por aquilo que não somos e gostaríamos de ser. Por aquilo que ambos sabemos que jamais seremos. Por aquilo que temos a certeza que sempre iremos ser.
Viver para ver crescer outros, para ver entristecer os que amamos, para chorar com eles, para dormir com eles, para amá-los.
Viver, enfim, para não morrer.
Porque a vida é uma eterna fauna de dores, alegrias e angústias saudáveis. Porque a vida é uma morte constante.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Legos. Lembro-me deles?


Lembram-se dos Legos?

Eram peças amarelas, vermelhas, azuis, brancas e pretas. Sozinhas não valiam nada, mas juntas eram capazes de transformam uma autêntica confusão de pedaços de plástico em construções inimagináveis e admiráveis. Eram infinitas, coloridas e tão engraçadas...

Eu tinha um balde inteiro cheio delas. Entretinha-me horas sem fim a dar-lhes um sentido. Nunca os pedaços soltos me deram rigor. Sempre gostei de dar um sentido a tudo na vida.

Tinha 3, 4, 5 anos. Tinha capacidade de construir coisas, de edificar sonhos, de impedir que se destruíssem.

Passaram quase 20 anos. A caixa de legos espera-me, num canto bem guardado da minha casa e hoje penso se ainda terei capacidade para a reconstruir. Farão, hoje, aquelas peças algum sentido para mim? Serei ainda capaz de evitar que as destruam?

Os meus sonhos, hoje, morrem à nascença. Matam-nos sem que tenha tempo de criar um escudo de legos que os protejam. Calcam-nos sem que tenha tempo de chorar ou barafustar por derrubarem o meu trabalho de horas, de anos. Os meus sonhos, hoje, são como os legos que se espalham pelo chão da sala de estar e se escondem por debaixo dos sofás, que a minha mãe só encontra quando vai aspirar. Só a minha mãe encontra os meus sonhos perdidos, debaixo do sofá, carregaos de pó.

Os meus sonhos, hoje, podem ser aspirados por outros e não apenas por mim. Os meus sonhos são como os legos que hoje se constroem. Trazem livro de instrução em linguagem uniforme. Têm regras para serem cumpridos, podem ser lidos por todos. Podem ser meus e dos outros. Não podem ser só meus.

Hoje, os legos não são universais. São grandes e pequenos mas não encaixam naqueles que aguardam há anos na velha caixa vermelha em cima do roupeiro na despensa de minha casa. Não encaixam. Não fazem sentido.

São velhos sonhos adormecidos no canto da minha memória.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Boneco de Neve: caem flocos na minha casa


Olho a janela e caem flocos leves e brancos como pedaços de algodão. No chão, são gotas frias de água, como chuva.

Pela primeira vez neva na minha terra e em quase todas as cidades do Norte do país.

Neva também na minha mente, regelando pedaços da minha imaginação esquecidos pelo tempo. Neva a incerteza, a dúvida, o medo do futuro. A ameaça da inércia, o temor das respostas negativas.

Por um lado, o descanso merecido. Por outro, as vozes que assombram e remontam àquilo que sou, àquilo que não sou e àquilo que não sei se algum dia virei a ser.

Sou feliz por receber, finalmente, um minuto de descanso. Triste porque o gelo que penetra a imaginação ameaça apoderar-se também do mais íntimo de mim. Daquilo que só guardo para dar aos outros. Tenho medo que a neve congele a minha essência, que se esqueça de regelar o medo.

Tenho medo, sim. Que me corrompa os pensamentos e a vontade de viver. A força de lutar e a coragem para enfrentar aquilo que não sei se algum dia virei a ser.

terça-feira, novembro 18, 2008

Na Segunda Pessoa

Quantas vezes é que nos vemos em segunda pessoa?

Tens frio na noite e medo do escuro
Não saltas aflito de cima do muro
Tens medo e coragem, não sabes ao certo
No meio do nada há um lugar incerto
Avanças, recuas, dás mais um palpite
A incerteza abre-te o apetite
Não fiques parado no meio da estrada
Apanha boleia para qualquer morada
Abre uma janela deixa a luz entrar
Talvez haja alguém que te possa encontrar
Acordas devagar para não te assustares
As coisas nem sempre estão nos seus lugares
Tens uma desculpa uma frase batida
Improvisas um sonho à tua medida
Reages contido ao teu coração
Pois cabe-te tudo na palma da mão
Não fiques parado no meio da estrada
Apanha boleia para qualquer morada
Abre uma janela deixa a luz entrar
Talvez haja alguém que te possa encontrar

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quarta-feira, novembro 05, 2008

Sonhos

Ontem fui ver, pela segunda vez, o espectáculo do La Féria "Um Violino no Telhado". De cada vez que experimento entrar naquela sala e ver toda aquela magia, cada vez tenho mais certeza de que a minha vida não vive sem música.
Frequentei a Academia de Música de Vilar do Paraíso (AMVP) durante 11 anos. Confesso que não me dava muito bem com aquele ambiente. Até admito que cheguei a pensar desistir porque não mantinha muitas relações sociais lá dentro. De certo modo nunca cheguei a perceber bem o porquê. Nunca tive qualquer dificuldade de relacionamento, sempre me entendi bem com todo o tipo de pessoas. Mas lá, vivia uma espécie de solidão que me perturbava e que me roubava, muitas vezes, a vontade de lá entrar.
Mas, no fundo, sabia que algo mais forte do que eu me fazia lá andar.
De cada vez que vejo os espectáculos do La Feria e neles reconheço uma e outra cara que frequentaram a AMVP aquando a mim sinto tristeza por nunca ter encaminhado a minha vida nesse sentido.
Um dia hei-de vingar-me na música por todas as tristezas que o jornalismo me vai dando. Prometi a mim mesma que hei-de concluir o curso, fazer as três disciplinas que me faltam e entrar numa classe de canto.
Nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos.
E sabem quando sabemos que são esses os nossos sonhos? Quando a emoção é tanta que quase nos sufoca ao pensarmos neles.

terça-feira, outubro 14, 2008

O "Mono"


Tenho andado por aqui. Porque não há tempo para pensar em sentimentos, em desilusões, em monotonias e rotinas. Preferia que esse tempo nunca surgisse, que estes dias fossem sempre repletos de energia e ocupação. Mas não são.

Ontem senti-me um elemento da decoração. Um "mono", como chama a minha mãe àquelas coisas velhas que andam lá por casa e que já não têm utilidade nenhuma senão... ocupar espaço.

Acho que é isso que sou, às vezes, no Público.

Sabem porque é que dói?

Porque é só aqui que me sinto assim. Não estou habituada, é verdade. Em tudo, na vida, sinto ter alguma utilidade. Não estava preparada para passar ao lado das coisas úteis.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Público...

Os dias no Público são assim...

Alegres e tristes
Stressantes e monótonos.
Estranhos e ao mesmo tempo familiares.
Assustadores e ao mesmo tempo aliciantes.

É apenas a quinta vez que entro nesta redacção, me sento nesta cadeira e olho toda esta gente. É incrível como, de repente, passamos do oito ao oitenta ou do cem ao zero. Um dia pode vestir-se de amarelo, verde ou azul. Dão-me uma fotolegenda de reciclagem e dizem que gostaram do meu texto. Dizem-me que tenho que apanhar um táxi e encho-me de coragem para o fazer. Saio às 21h da redacção exausta, de rastos mas cheia de alegria. Senti-me útil e eficaz mesmo que a cerca de 1h de conversa com duas pessoas importantes apenas tenha cabido em 600 caracteres de texto.
Utilidade.
Palavra que passou a fazer parte do meu léxico pessoal nos últimos dias. Sentir-me útil, nem que seja para mil caracteres num jornal de 35 páginas é ultimamente a maior felicidade que me podem dar.
Nem que, para isso, tenha que lutar contra o stress, desesperar de tédio, procurar fazer o melhor e acabar por sair o pior... mas fazer!
Seja o que for... fazer!

quinta-feira, agosto 21, 2008

Aquilo que vai dentro.. do Cemitério de Pianos


Ao meu irmão


As férias foram assim...

Submersas entre palavras soltas, ventos de leste e o Mar Mediterrâneo.

O cascalho da areia confunde-se com as peles brancas que anseiam bronzear.

Precisava de descansar, de repousar e de pensar.

Nada do que previ acabou por acontecer porque estava, de facto, cansada...

Não quis pensar, não quis reflectir nem ansear.

O que será, será. O que estiver para vir, que venha...

Hei-de encontrar forças para o enfrentar, hei-de saber acordar deste estado de imersão onde me encontro...


Pela primeira vez, em muitos anos, só li um livro durante as férias.

Um livro que me ocupou mais de dez dias de reflexão. Que entrou na minha vida quase por acaso, que foi dando um novo sentido aos passeios de terceira idade a que fui forçada a ir durante o mês de Julho.

Nesses dias fui conhecendo a história fictícia de Francisco Lázaro. Poucos se lembrarão dele.

Há coisas que surgem na vida por acaso mas, ao longo do percurso, começam a fazer sentido de uma forma tremendamente alucinante.

À medida que conhecia a história de um jovem maratonista e entrava em todos os pensamentos que o José Luís Peixoto lhe imaginou durante a prova dos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1920, fui imaginando o meu irmão a lutar pelo sonho que agora concretizou.

No dia em que os Jogos Olímpicos de Pequim estreavam, também a notícia que todos esperavamos mas ninguém queria receber, acabaria por surgir.

Terminar as férias mais cedo não foi nada comparado com o final trágico do Cemitério de Pianos.


Que orgulho que eu tenho em ti. Oxalá algum dia alguém possa sentir por mim aquilo que vai cá dentro...


segunda-feira, agosto 18, 2008

100

É a centésima vez que aqui escrevo.
Poderia ser um número considerável se não tivesse dado este blog à luz há mais de três anos.
Poderia escrever todos os dias. Todas as horas. Não seria impossível. Há quem o faça.
Mas como uma mãe que vê o filho pela primeira vez e lhe traça o destino à primeira vista, também eu decidi que este espaço seria de entrega aos momentos marcantes. Àqueles que merecem ser descritos, àqueles que me fazem bem descrever.
Poderia tentar enganar-vos e dizer que se não escrevo mais é por falta de tempo. Por vezes é mais do que isso. Falta de vontade. Falta de força de relembrar os momentos. Falta de coragem para os contar. Falta de garras para encarar que, ou escrevo para ninguém, ou quem me lê não dá feedback.
A todos os que estão desse lado, obrigada por me lerem há 100 publicações.

sexta-feira, julho 25, 2008

Deixar fluir os pensamentos

Ouvia ontem esta música enquanto os meus olhos se fecharam para um momento de aberrações pacíficas
..


Deixar fluir os pensamentos...



Por detrás da consciência, por entre os olhos cansados, por entre as pálpebras cerradas e por entre a música calma...
Momento de paz, de asas de imaginação, de abstracção quase total, de quase tudo o que é quase mundano...
Pensar... deixar-se levar... entregar-se de corpo e alma a animais sem pernas, a homens em bicicletas gigantes...
Imagens que se atropelam por entre sonhos ilógicos, momentos desconexos, objectos irreais...
Cadências rítmicas e perfeitas, inconscientes mas constantes, desprendidas mas agarradas, superfíciais mas profundas...
Sonhar... meia acordada e meia adormecida, meia confusa e meia consciente...
Mas sonhar. Sonhar sem pensar que se sonha. Entregar-se sem dó nem vontade de permanecer preso.
Abstrair-se...
Deixar vir tudo o que não se quer, ver tudo o que não faz sentido.
Mas compreender que às vezes, o ilógico que reside cá dentro, o idiota que está perdido no àmago do inconsciente...
Também tem direito a existir.
Deixar fluir um pensamento irreal... Quantas vezes não o impedimos?

sexta-feira, julho 11, 2008

Ilusão?

Vou para o Público.
A resposta chegou tarde e atrasada.
Atrasada porque, como em quase tudo na vida, sou a última a saber.
Novidade.
Sou quase sempre a última a saber de tudo, não fosse a minha perspicácia suprema, a minha desconfiança de tudo.
Algo me dizia que já deveria ter sabido. Qual o meu espanto quando me dizem que a confirmação já me deveria ter sido dada há mais de duas semanas.
Espanto.
Bem, pelo menos, e quase que pela primeira vez na vida, a resposta não foi desilusória.
Consegui!
Já lutei tantas vezes por tanta coisa e perdi que, se perdesse desta, acho que já nem me doía.
Mas parece que lá ganhei...
Pelo menos acho que o meu pai ficou feliz.
Sim porque acho que ele nunca sonhou propriamente que eu fosse jornalista. "Mas já que és, pelo menos escreve para o Inimigo Público", disse-me com aquele sorriso que eu já conheço.
Já o conheço. Não sei se é bom ou mau. Mas conheço.
Confesso que a minha primeira opção de estágio foi a pensar nele. Porque sei que não sou aquilo que ele sonhou. Mas sinceramente também nunca soube o que é que ele sonhou para mim...
Advogada desempregada?
Bancária frustrada?
Estou certa que não.

Enfim. Vou para o Público.
Feliz? Acho que a minha maior felicidade foi poder dizer "entrei na primeira opção" pela primeira vez na vida.
Expectativas? Poucas. Como sempre. Sempre preferi surpreender-me. É o que sempre digo... corra como correr.. só não quero cair na lama...
Mas... pelo menos... vou esforçar-me por não desiludir o meu pai. Porque a mim, já não me iludo.

domingo, junho 08, 2008

O primeiro dia da eternidade

Gosto quando os dias são calmos e me reservam afazeres.
Acordar com a sensação de que o mundo precisa de mim, de que vivo para servir e não para ver passar o comboio.
São poucas as vezes em que abro os olhos e sinto que não há nada para mudar na vida. Que tudo está bem e que ninguém me espera, nada me aguarda.
Habituei-me, de há um ano para cá, a sentir que alguém precisa de mim. Que o mundo gira ao contrário dos ponteiros do relógio e que me compete correr nesse sentido.
No sentido da vida, da alegria e da felicidade, mesmo que nem sempre as encontre.
Aprendi a gostar do stress, dos dias repletos de compromissos, das horas que se atropelam e das ideias que não surgem. Da falta de imaginação, da dificuldade de concentração. Das quedas e das recomposturas. Das palavras duras e dos elogios.
Foram tantas e tão dolorosas. E esses, tão poucos mas tão saborosos.
Aos bocados aprendi a ver a vida a mudar. A deixar de pensar como se tivesse eternamente 18 anos. A imaginar o mundo do trabalho como um horizonte distante e inalcançável, a pensar que também eu cresço.
De há um ano para cá tudo parece fazer mais sentido. Os pequenos pormenores da vida tornam-se insignificantes face às grandes responsabilidades, aos grandes compromissos. Aos medos.
Medo é o que ainda sinto acima de tudo.
Medo de acordar e não saber o que fazer. Pior. Não saber o que me espera.
Esse é um medo com o qual aprenderei a lidar. Ao longo do tempo. Ao longo da vida. Até à eternidade.

domingo, maio 18, 2008

Elogios

Não me elevam nem fazem de mim aquilo que não sou.
Se forem verdadeiros, fazem-me mais feliz mas não sem antes os submeter a uma avaliação profunda.
Vozes anónimas, perspectivas inviusadas não me fazem crescer nem voar acima das nuvens.
Sou assim.
Não me iludo com palavras bonitas ou caras simpáticas.
Desconfio.
Gosto de acreditar que o que dizem é verdade, mas prefiro pensar que tudo pode ter um reverso.
Até à confirmação profunda, gosto de aguardar calmamente a sentença final.

Não.
Não sou fria nem convencida de tudo. Tenho, inclusive, diversas dúvidas das minhas capacidades.
Mas costumo dizer que, embora o sonho ocupe grande parte da minha vida, vivo com os pés bem assentes na terra.
Prefiro surpreender-me e elevar-me ao alto, a desiludir-me e cair redonda no chão.
Porque nesses momentos... Não há elogios, nem mãos que nos levantem.

sábado, abril 26, 2008

Facada


Há quem lhe chame efeito bola de neve.
Eu prefiro encará-lo como uma aprendizagem. Uma pancada dolorosa, uma faca que espeta mas não faz sangrar. Aliás, várias.
Vários golpes que vão ficando e não sarando como uma chaga aberta que não sangra, não endurece, não cura.
Com o tempo dizemos que a esquecemos, que já passou, que não existe. Mas o tempo ensina-nos a fechá-la por fora sem que a curemos nas raízes. Ficará para sempre aberta por dentro, eternamente a escorrer o sangue do desgosto ainda que não nos arda como antigamente.

Um dia irei olhá-las e dizer que me ajudaram a crescer.
Por agora resta-me tratá-las para que não infeccionem. E acreditar que amanhã estarão curadas. Elas e eu.

(foto)

sexta-feira, abril 18, 2008

Beem! Que surpresa...




You Act Like You Are 15 Years Old



You are a teenager at heart. You don't quite feel like a grown up yet, but you don't feel like a kid.

You question authority and are still trying to find your place in this world.



You're quite rebellious, and you don't like being told what to do. You like to do things your way.

You have your own unique style, taste in music, and outlook on life.

terça-feira, abril 08, 2008

O Bolo da Vida


A minha mãe ensinou-me que quando fazemos um bolo e queremos que ele cresça e fique "fofo", há uma técnica especial que não deixa enganar.

É saber separar a gema da clara, colocando-as em recipientes diferentes.


Mas a vida ensinou-me que, se eu quiser crescer em paz, sem que todos os dias tenha que passar por situações de sofrimento com aqueles que penso que me querem bem, devo fazer este exercício de separação da gema da clara.

Num recipiente pequeno coloco as gemas, com muito cuidado para que não entre nem um pouco da parte transparente do ovo. Porque, às vezes, um pequeno pingo de maldade é suficiente para estragar aquilo que há de bom.

Acima de tudo há que analisar bem aquela bolinha amarela. Eu tenho muito receio com o ovo, inclusive aboli esse alimento das minhas refeições. Mas quando se trata de fazer a escolha da vida, há coisas das quais não podemos abdicar e há riscos que temos que correr.

Então, a pequena tigela vai recebendo algumas gemas de ovo. Umas maiores, outras mais pequenas mas, ao seu jeito, todas elas me farão saudável e irão contribuir para que o bolo se torne bem compacto.


Olho para a pequena tigela e vejo-a tão vazia. Mas será que aquilo que realmente importa é assim tão pouco?


Do outro lado, no grande recipiente onde coloquei as claras, quase não sobra espaço para mais nenhuma. Sei que o meu bolo ficará bem grande e fofo. Sei que irá crescer mais do que a forma onde o vou colocar. O calor fá-lo-á enorme, aparentemente bom e suculento. Mas... e o sabor?


Terão sido aquelas poucas gemas suficientes para lhe dar sabor? Será este alimento suficiente para me alimentar ao longo da vida?

Para isso é que existem as claras. Bati-as em castelo para que crescessem ainda mais. Juntei-as ao preparado anterior e o resultado foi excelente.


À primeira vista o aspecto é fantástico, delicioso, irresistível. Provo as fatias uma a uma, ao longo dos dias e da vida. Sei que as claras fizeram da minha vida aquilo que ela é. Mas, no fundo, não esqueço que o importante sabor e cor foram dados pelas gemas do ovo que, com tanto cuidado, separei.


É para isso que servem as pessoas e as coisas acessórias da vida. Tal como as claras do ovo, batemo-las em castelo, embelezamo-las e criamos a ilusão de que são elas que dão alegria ao nosso dia-a-dia.

Tudo não passa de uma ilusão. Porque o amarelo que dá realmente cor à nossa existência é tão pequeno que quase nem nos lembramos dele. Mas é tão importante que, quando aprendermos a separar a gema da clara, iremos atingir o estado de perfeição e ninguém será capaz de nos superar na excelente tarefa de fazer o bolo da vida.

domingo, março 30, 2008

Quadro de Lousa


Se a vida fosse um quadro de lousa preto, onde se pudesse escrever e apagar a cada instante, então eu viveria no mundo imaginário em que as pessoas importantes nunca o eram por muito tempo.


Somos meras conhecidas, dizemos um "olá" frio e distante. E quase nem nos lembramos dos bons momentos porque os maus acabaram por os suplantar. As boas recordações caem no esquecimento de uma saudade que nem sabemos se é boa ou má e os ex-sorrisos transformam-se em memórias que já não entendemos.

Não entendemos porque é que mudamos tanto... Terei sido eu? Terás sido tu?

Com certeza a culpa não morre só. Mas a mágoa que sinto pelo desprezo que me dás é superior à razão que me faz pensar se merecerás o meu perdão.


Tenho pena de ti quando te vejo só. Porque até ontem a minha companhia era sempre tua. As minhas palavras eram felizes contigo e os momentos bons eram inesquecíveis.

Mas hoje, sei que a minha presença deixou de fazer sentido. Já não te conheço nem reconheço os teus passos.

Hoje caminhamos em caminhos diferentes, em sentidos opostos e em estradas paralelas. Por vezes tentamos enganar-nos, cruzamos as vias e conseguimos uma aproximação. Tão ténue que até dói. E dói mais do que a distância consentida.


Sento-me e penso naquilo que estarás a fazer neste momento. Pensas em nós? Naquilo que fomos um dia? Pensas nos lugares que partilhamos ou nas fotografias que o tempo não apaga?

Terei sido a amizade sem barreiras que ninguém iria ultrapassar? Ou terei sido um engano do destino que a maldade soube separar?


Serei ainda algo que recordas com emoção ou a frieza do teu olhar, a luz que deixaste de emanar gela qualquer espaço de aproximação?


É verdade, já fomos, um dia, laços inquebráveis de amizade. Hoje somos apenas olhares que se cruzam e corações que choram cansados, que lamentam um passado mas que não o admitem.

Hoje somos apenas só mais umas que, ao longo da vida, não têm a força para se voltarem a encontrar, para contrariarem os duros caminhos de ferro que tantas vezes percorremos juntas e para voltarmos a escrever, com o mesmo giz, um "para sempre" no quadro de lousa que alguém apagou.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Life is a box of chocolates...

... You never know what you're gonna get.

Assim se escreve a frase que sintetiza a grande história de Forrest Gump.
Uma história simples, datada dos anos 60, mas que marcou uma fase importante do meu desenvolvimento.
"- Cris, tu quanto eras pequena eras o Forrest Gump" - dizes-me.
Sim, de facto eu era o Forrest Gump. Não porque fosse atrasada mental, gaga ou dona de uma paixão não correspondida. Não porque tivesse decidido dar a volta ao mundo a correr com umas Nike nos pés. Não porque (como se não bastasse) tivesse combatido na Guerra do Vietname e tivesse um colega que só soubesse falar de camarões.
Sim, eu fui o Forrest Gump.
Tudo porque o meu crescimento me pregou uma partida e com apenas um ano me ofereceram uma coisa a que se chama "voador". Que não serve para voar, senão abaixo das escadas...
Tudo porque com apenas um ano eu comecei a caminhar e, sem chegar ao chão sentada no pequeno banco daquela coisa redonda e cor-de-rosa com rodas, comecei a caminhar em bicos de pés.
E assim comecei a andar. Sempre em bicos de pés, tentando ser mais do que era, tentando chegar mais longe do que as minhas capacidades.
Ainda hoje assim sou, mas finalmente tenho os pés no chão.
Não uso voador porque, aos seis anos, decidiram levar-me a um ortopedista. Então passei manhãs e tardes inteiras num cubículo cheio de meninos como eu e como o Forrest Gump. Atraiçoados pelo próprio desenvolvimento motriz. Esperava horas e era atendida por um médico, ou um técnico que me apertava as pernas entre uns ferros desde a anca até ao tornozelo. Daí saía finalmente uma bota ortopédica que estava ligada ao ferro que descia da anca e se prendia a mim como uma sanguessuga através de umas faixas de velcro.
Tudo porque as minhas rótulas decidiram inverter o sentido e começar a rodar para dentro, direccionando as extremidades dos meus pés uma para a outra e fazendo-me caminhar como uma... pessoa menos normal.

A parte boa era que no fim das consultas uma senhora com cara de má me oferecia um chupa-chupa daqueles espalmados e redondos de várias cores enrolados num plástico transparente. E eu gostava sempre do verde...
E assim foi. Durante cerca de um ou dois anos na minha infância, eu fui o Forrest Gump. Eu usava sempre as mesmas botas ortopédicas quando as minhas amigas podiam usar sapatilhas ou sapatos novos. Eu usava sempre calças quando as minhas colegas podiam mostrar-me as saias novas que a mãe lhes havia oferecido. E eu não podia correr muito, ou arriscava-me a partir o aparelho que (de vez em quando partia só para minha felicidade) me estava a arrancar a parte mais divertida da minha infância.
Por isso sim, eu fui o Forrest Gump.

Mas será disso que se lembram quando pensam em mim quando fui criança?
É que eu só me recordo desse episódio quando mo lembram...
Será que se lembram do último trabalho meu? Será que o leram ou deixaram apodrecer o AUDIÊNCIA no canto mais escondido do banco da cozinha?
Sei que não lhes dou muitas vitórias. Inclusivé não sou aquilo que sonharam que fosse.
Mas por favor, não me lembrem apenas de que fui o Forrest Gump.
Eu cresci e já abri a caixa de chocolates que a vida me deu.
E realmente a mãe do Forrest estava certa: nunca sabemos o que ela nos traz.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Ou então sou assim...

Your results:
You are Wonder Woman






















Wonder Woman
73%
Supergirl
68%
Spider-Man
60%
Green Lantern
60%
Robin
48%
Superman
40%
Hulk
40%
Iron Man
40%
Batman
35%
Catwoman
35%
The Flash
30%
You are a beautiful princess
with great strength of character.


Click here to take the Superhero Personality Quiz

Dizem que sou assim...


You are The High Priestess


Science, Wisdom, Knowledge, Education.


The High Priestess is the card of knowledge, instinctual, supernatural, secret knowledge. She holds scrolls of arcane information that she might, or might not reveal to you. The moon crown on her head as well as the crescent by her foot indicates her willingness to illuminate what you otherwise might not see, reveal the secrets you need to know. The High Priestess is also associated with the moon however and can also indicate change or fluxuation, particularily when it comes to your moods.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Sou pedra mármore

Sou doce quandos dias acordam frios e sou fria quando o gelo me perfura a alma.


Sei ser mole quando me dominam mas sou naturalmente frágil e dura.


Sou pedra mármore, branca calcinada de negro. Dura de roer, fria como o vento mas ao mesmo tempo quebrável ao primeiro toque.


Sou o que a vida me ensinou a ser.


Coração de manteiga, fio de água fresca, amarga como as formigas nas bolachas doces.


Sou alérgica a críticas que desconheço. Sensível às palavras más daqueles que gosto.


Mas a vida começou a mostrar-me que nem tudo é como eu gostaria que fosse.


As pessoas não são boas.


A vida é madrasta.


Os amigos escorrem pelos dedos.


E a cada minuto que passa sou mal desejada, mal vista, criticada.


Aos poucos aprendo a lidar com isso. Aos poucos ainda choro com isso.


Talvez um dia deixe que tudo me passe e eu permaneça impermeável.


Como a pedra mármore, quando não é cortada e aprecia de longe tudo o que lhe passa por cima.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O nosso sonho

O nosso sonho morreu hoje nas mãos do destino.
Roubaram-no de nós como quem rouba um filho recém-nascido.
E eu chorei por ele e por ti,
Por não o poder viver na tua companhia.

Vou partir com ele, meu amor.
Porque me pedes que parta.
Mas nada será igual sem ti.
Porque tu és o pai dos meus sonhos.
Porque contigo sonho acordada o infinito e mais além.
Vou por ti.
Mas a dor de não te levar é mais forte do que a de o ver partir.

Eu prometo, meu amor
Vou voltar com o nosso sonho,
Aquele que geramos juntos.
E vai ser igual.
Tudo como era.
Tudo como fizemos.
Ainda que eu não tenha forças para acreditar.
Que esse sonho era teu e era meu.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Coisa feia, a Inveja


É tão cruel e tão dura que magoa mais do que qualquer arma.

Tem tanto de humano que se torna desumana.

Mas quem não o sente?

Quem nunca o sentiu?

É dura, crua, sacana...

Devia magoar mais quem a tem do que quem a sofre, mas quem a tem nunca o descobre e quem a sofre nunca a ultrapassa.

Dizem-nos que temos que saborear as coisas más para aprender a amar as boas.

Um dia provei a inveja e soube-me a fel. Nunca soube bem qual o sabor do fel, mas é amargo como as formigas. Quem nunca comeu uma formiga nunca saberá a que sabe a inveja. A única diferença é que a formiga é pequena e engole-se e a inveja é impossível de engolir.

Não a sei definir melhor.

Mas sei que é má.

E que é feia.

domingo, fevereiro 03, 2008

Vida madrasta

Com o tempo, a vida ensina-nos que a única pessoa com quem podemos SEMPRE contar é connosco próprios.
Porque, quando a maré está calma e não há tempestades, a areia cola-nos aos pés e não nos faz aflição nenhuma. Na verdade, até gostamos de sentir o cheiro a maresia e lembrar-nos de quando éramos crianças e brincávamos com tudo. Aquilo que, às vezes, tanto nos irrita (como a areia colada até aos joelhos) é algo que adorávamos há anos atrás.
Mas, quando o mar embravece e não nos podemos chegar perto. Quando o perigo é iminente e não temos quem nos ajude a escapar do afogamento. Aí, não temos areia colada às pernas. Sentimo-nos sós e uma mágoa enorme apodera-se do nosso corpo.
Porque a solidão é o pior sentimento que podemos sentir, principalmente quando trás de arrasto a constatação de que mais vale que estejemos sós e nos salvemos das injustiças, do que ter companhias que nos tragam tristezas e desilusões a cada dia que passe.
É que quando o mar está calmo e as coisas más não chegam perto, temos imensos braços para nos amparar...
Mas quando olhamos para o lado, só nos temos a nós. Porque aqueles que cá deviam estar, estão mais preocupados em se salvar a si próprios e a outros que não nós.
A vida é madrasta.
Deviamos aprender com ela.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Não me deixes sozinha


Ando triste.

Cheguei a casa na passada sexta-feira e o meu "pequeno Leo" como sempre lhe chamo, olhava-me do lado de dentro da porta.

Sorri imediatamente. Uma alegria incondicional apoderou-se de mim. Mas a duração foi tão escassa e tão fina que, por momentos, tenho a certeza que o meu coração parou.

No dia anterior tinha-o achado doente. Parti com tristeza porque sentia-o a sofrer e sem capacidade de se queixar.

O que mais dói quando nos apaixonamos por um animal é vê-lo sofrer. Principalmente porque são tão nossos amigos, tão companheiros que, quando ficam doentes, não são capazes de se queixar.

Nos olhos dele via lágrimas e tristeza.

Apetecia-me chorar, mas dizem-me que eles precisam da nossa força.

Na semana anterior, devido ao enorme coração do meu namorado, vivi um dos episódios mais marcantes de toda a minha vida. E foi com um animal. O pequeno cão agoniava no meio da estrada. O Daniel pegou nele e levou-o ao veterinário. Não havia nada a fazer. O sofrimento era demasiado para lutar pela vida dele.

Paguei. E ele morreu.


Só te peço, meu Leo:

Não me deixes sozinha.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Ver com os olhos do Coração


Trabalhar no Audiência tem-me aberto muitas portas. Principalmente as portas da imaginação.

Porque pensar faz-nos crescer, mesmo que por vezes só sirva para complicar.

Ontem foi a vez de me fazer pensar em tudo o que Saint-Exupéry foi capaz de condensar num livro que cabe na palma da mão.

"O Principezinho" é tão simples, tão pequeno, tão fugaz que se "lê" numa hora, ou talvez menos.

Mas será que uma vida inteira serve para compreender a profundidade de tal lição?

Mais uma vez os meus parabéns ao senhor La Feria.

Assistir ao Principezinho de La Feria é aprender a ver a vida com os olhos do coração, nem que seja apenas durante os 45 minutos em que a ilusão ainda dura.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Há muito que não escrevo.... aqui

Há dias perguntou-me o meu pai: "Tens actualizado o teu blogue?"
A resposta foi penosa.
És um espaço onde desabafo, onde dou aso à minha imaginação, onde escrevo aquilo que quero e até aquilo que não posso.
A vida deu-me espaços. Deu-me liberdade. Mas uma liberdade condicional.
Vivo para escrever e a escrita é o meu dia-a-dia, a minha linguagem-mãe.
É a escrever que comunico ao mundo aquilo que vejo. Aquilo que quero que os outros vejam à minha maneira. A escrita é a minha forma de impôr ao mundo a forma como quero que eles o vejam.
E quando escrevo, mando.
Quando escrevo sou soberana, mesmo que lá no fundo queira que me ignorem, que me anulem à minha pequena ignorância, ao meu não saber, à minha pequenez.
No fundo sou pequena. Mas na escrita encontro o altar onde acho que me posso elevar.
Mesmo que em momentos de lucidez tenha noção de que não sou aquilo que quero ser, de que não sei aquilo que quero ser, de que não...

"Não pai. Não escrevo há muito tempo. Prefiro escrever num jornal onde, pelo menos, tenho a certeza de que alguém me lê. Nem que seja apenas o editor".

terça-feira, dezembro 11, 2007

Driving Home for Christmas


Porque não há tempo para mais...
Porque tenho pena de te deixar ao abandono...
Porque gostava de me poder dedicar a ti com mais alma...
Mas porque, no fundo, sei que ninguém sente falta...
E porque já cheira a Natal, apesar de o coração ainda não sentir...

Aqui fica uma das minhas músicas de Natal preferidas...

Porque às vezes sinto que estou a conduzir em direcção ao Natal e ninguém me vê:

Driving Home For Christmas
(Chris Rea)

Im driving home for christmas
Oh, I cant wait to see those faces
Im driving home for christmas, yea
Well Im moving down that line
And its been so long
But I will be there
I sing this song
To pass the time away
Driving in my car
Driving home for christmas

Its gonna take some time
But Ill get there
Top to toe in tailbacks
Oh, I got red lights on the run
But soon therell be a freeway
Get my feet on holy ground

So I sing for you
Though you cant hear me
When I get trough
And feel you near me
I am driving home for christmas
Driving home for christmas

With a thousand memories
I take look at the driver next to me
Hes just the same
Just the same
Top to toe in tailbacks
Oh, I got red lights on the run
Im driving home for christmas, yea
Get my feet on holy ground

So I sing for you
Though you cant hear me
When I get trough
And feel you near me
Driving in my car
Driving home for christmas
Driving home for christmas
With a thousand memories

segunda-feira, outubro 29, 2007

União


Sabes quando é que tenho a certeza de que somos um só?

Mais do que quando sorrimos, é quando temos vontade de chorar juntos.

Mas não choramos.

Porque a minha fraqueza se anula na tua força.

E porque a minha força é pouca quando te tornas fraco.

Mais do que quando acordamos, é quando não conseguimos dormir.

Porque sei que os teus olhos estão abertos e eu não tenho sonhos se tu não estiveres neles.

Mais do que ter problemas, é viver os teus como se fossem meus.

É querer chorar quando tenho que lá estar para te apoiar. É querer sorrir sem te mostrar que estou a mentir.

Porque o teu sorriso ilumina o meu. Porque me buscas forças onde ninguém sabe que existem.

É aí que sei que somos um.

Porque o que é teu é meu.

No bem e no mal.

E para sempre.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Circo de Feras


A arena está repleta de gente na bancada que salta, canta e grita o meu nome. As suas vozes são distantes como o horizonte. À minha frente apenas a fera, sedenta de mim, que ruge e me espera amordaçar.

As vozes tornam-se cada vez mais distantes e os rugidos parecem extravasar-me os tímpanos. Quero uma porta de saída, um recanto para me esconder, um sítio onde possa ficar sem que me apanhem.

Ninguém. Ninguém ouve o meu grito de desespero. Todos pensam que sou capaz, mas apenas eu acredito que não.

Agora que me lançaram às feras, agora que a vida mudou e o trabalho aperta sinto-me ínfima no mundo. Sinto-me só.

Só porque nada nem ninguém está lá para me amparar. E quando não sei qual o caminho a tomar? Mais do que a solidão, a ignorância apodera-se das minhas forças, a certeza de ter vivido até agora a pensar que se sabe algo de que nunca se teve conhecimento é a maior frustração que sentimos.
Nada. Eu não sei nada.
Sabem que mais?

Estamos sós.

É que no circo de feras, somos só nós e mais ninguém. Só nós e a fera que nos aguarda lenta e silenciosa no fundo da parada.

terça-feira, outubro 09, 2007

Everything

Na véspera de, por mais um ano, seguir em frente de vez e deixar tanta coisa para trás, aqui fica a dedicatória àqueles que me irão preencher com enorme saudade.
As saudades doem, mas são diferentes quando sabemos por quem as sentimos.

"Everything"
(Michael Bublé)

You're a falling star, you're the get away car.
You're the line in the sand when I go too far.
You're the swimming pool, on an August day.
And you're the perfect thing to say.

And you play it coy, but it's kinda cute.
Ah, when you smile at me you know exactly what you do.
Baby don't pretend, that you don't know it's true.
Cause you can see it when I look at you.

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, you make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.

You're a carousel, you're a wishing well,
And you light me up, when you ring my bell.
You're a mystery, you're from outer space,
You're every minute of my everyday.

And I can't believe, uh that I'm your man,
And I get to kiss you baby just because I can.
Whatever comes our way, ah we'll see it through,
And you know that's what our love can do.

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, you make me sing
You're every line, you're every word, you're everything.

So, la, la, la, la, la, la, la
So, la, la, la, la, la, la, la

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, you make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.

You're every song, and I sing along.
'Cause you're my everything
.Yeah, yeah

So, la, la, la, la, la, la, la
So, la, la, la, la, la, la, la

quarta-feira, setembro 26, 2007

De vez em quando... as surpresas...

De vez em quando a vida corre bem.
Os dias são felizes e há surpresas.

Surpresas boas. Nao daquelas que eu não gosto. Não daquelas que fazem temer. Nem daquelas que me fazem querer desvendá-las antes do tempo.

Porque as surpresas devem esperar. Devem vir no momento certo. Devem ser sempre boas. E, acima de tudo, devem ser merecidas.

De vez em quando são as surpresas que mudam a vida. Quando menos esperamos, quando não planeamos e quando nos deixamos levar.

As surpresas são adoradas por muitos. Mas também há quem as odeie.

Eu gosto de as ter, mas só passo a gostar delas depois de as conhecer.
É que de vez em quando não gosto de sofrer. Deixo de suportar sofrer. Deixo de conseguir viver a sofrer.

Sofrer na ânsia é a pior surpresa que nos podem reservar. Porque sofrer é mau. E uma surpresa má é sempre uma má surpresa.

Por isso só gosto de surpresas boas.

E hoje sinto-me feliz porque tive uma boa surpresa.

Será que o desenrolar será mesmo bom?

Resta-me esperar...

É que de vez em quando, também gosto de ser feliz. Nem que seja por um instante. Nem que seja por um momento. Momento em que a surpresa ainda dura.

domingo, setembro 16, 2007

Vingança


Há quem diga que se deve servir fria. Gelada. Num prato redondo e camuflado para que entre pela boca e corroa o nosso interior com feridas profundas e crónicas.

Todos temos sede dela. Mas nem todos a conseguimos administrar.

Todos um dia a sofremos. Todos um dia temos vontade de a usar.

Mas nem todos o fazemos.

Tenho vontade e tenho razões para me vingar.

Dei muito de mim a quem não o quis aproveitar.

Confiei em quem me traiu.

Mas será isso um motivo para magoar tão ou mais profundamente aquele que mo fez?

Não.

Resumo-o à mais ínfima partícula. Ao mínimo significado. Àquilo que jamais será para mim.

Dar mais de mim?

Nunca mais.

Talvez se contente com um sorriso forçado, uma palavra sincera.

Mas nunca comigo.

Eu jamais me darei a quem me traiu.

Essa é a maior vingança que se pode dar.

domingo, setembro 09, 2007

Nós para Sempre

Quatro anos depois

Vejo a vida a seguir em frente, vejo o passado a andar para trás.
Vejo sorrisos em gente diferente e vejo aquilo que o mundo lhes faz.
Vejo-te a ti e a mim, vejo aquilo que criamos juntos,
Vejo ventos perdidos, vejo problemas defuntos...
Porque contigo eu sou eu.
Porque comigo tu és tu.
E eu sou nós.
Nós para sempre.
Um sempre infinito.
Um sempre sem fim.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Esta sou eu

Gosto de vacas e de vaquinhas... mas não daquelas a sério que têm tetinhas e que fazem mumu... gosto mais daquelas que imitam essas e que estão no meu quarto, na parede, no tecto e no chão... gosto de chocolate, de gelados da Olá e do Daniel... gosto da minha família mas restrinjo-a aos elementos essenciais, àqueles sem os quais não saberia viver... prezo muito a amizade, mas cada vez conservo menos amigos... uns porque me fogem sem que eu os consiga agarrar, outros porque a longo prazo me mostram que mais valia não os ter consentido tal cargo. tenho poucos, às vezes sou incapaz de me lembrar de quem são, mas sei que os que existem estão sempre lá. às vezes magoam-me, outras vezes apunhalam-me. mas gosto de crer que são meus amigos, porque se não tiver essa crença, então posso dizer que vivo sozinha... tenho medo da solidão, como também tenho medo das doenças. sou um pouco hipocondríaca. stressada, irrequieta, desconfiada e nariz empinado. respondona, por vezes fria mas no fundo um coração de manteiga. sou normalmente alegre, mas muitas vezes triste. sou FELIZ. sou o que sou e não o que querem que seja. sou assim e quem gostar gostou, quem não gostar talvez nunca o venha a admitir.

terça-feira, agosto 14, 2007

Do outro lado do espelho


Do outro lado do espelho posso ser quem quero.
Posso ser quem nunca fui.
Posso ser eu ou tu. Podemos ser nós.
Do outro lado do espelho a vida passa errante.
Os dias são dias e noites e as alegrias passam sem parar.
Do outro lado do espelho nada pára senão eu.
Eu sou estática, inerte e pó.
Um pó que é nada, que é colorido e que também é negro.
Do outro lado do espelho sou só eu e as minhas memórias.
Eu apenas reflectida num rosto cansado e negro, perdida nas estórias que apenas sei reviver.

quarta-feira, julho 25, 2007

Livre


Houve amarras que me prenderam ao chão.
Houve vozes que me gritavam e chamaram à razão.
Houve dor, sofrimento e desespero.
Houve falta de compreensão, arrependimento e medo.
Houve "porquês", houve "sims" e "nãos".
Houve aquilo que pensamos que é positivo, e houve o reverso da medalha...
O negativo.
É sempre o negativo que nos faz perder a fé.
É o negativo que nos rouba a esperança.
É o negativo que nos faz perguntar.

Bateram à porta. Fui abrir.
Veio o sol, a alvorada, uma leve brisa.
Por vezes veio também a esperança e uma pequena alegria.
Uma amálgama de emoções e sentimentos confusos.
Era tempo para lutar. Lutar e seguir em frente.
Mas seguir rumo a quê? - perguntei-me.
Lutar em vão é o pior sentimento que podemos sentir.
Olhar em redor e ver que todos conseguem e eu aqui sozinha, sempre sem conseguir.
Perdi a fé em mim, perdi a vontade de crer.

Agora que tudo passou, que uma nova vida está para vir,
Sinto-me livre e tudo o que quero é viver.

quinta-feira, julho 19, 2007

Porque às vezes precisamos de um Encosto...

Encosta-te a mim
(Jorge Palma)



Encosta-te a mim
Nós já vivemos cem mil anos
Encosta-te a mim
Talvez eu esteja a exagerar
Encosta-te a mim
Dá cabo dos teus desenganos
Não queiras ver quem eu não sou
Deixa-me chegar
Chegado da guerra
Fiz tudo para sobreviver
Em nome da terra
No fundo para te merecer
Recebe-me bem
Não desencantes os meus passos
Faz de mim o teu herói
Não quero adormecer
Tudo o que eu vi
Estou a partilhar contigo
O que não vivi
Hei-de inventar contigo
Sei que não sei,
Às vezes entender o teu olhar
Mas quero-te bem
Encosta-te a mim
Encosta-te a mim
Desatinamos tantas vezes
Vizinha de mim
Deixa ser meu o teu quintal
Recebe esta pomba
Que não está armadilhada
Foi comprada, foi roubada
Seja como for
Eu venho do nada
Porque arrasei o que não quis
Em nome da estrada
Onde só quero ser feliz
Enrosca-te a mim
Vai desarmar a flor queimada
Vai beijar o homem bomba
Quero adormecer
Tudo o que eu vi
Estou a partilhar contigo
E o que não vivi
Um dia hei-de inventar contigo
Sei que não sei
Às vezes entender o teu olhar
Mas quero-te bem
Encosta-te a mim
Encosta-te a mim
Quero-te bem...
Encosta-te a mim...

terça-feira, julho 10, 2007

Balde de água fria

Há dias que são por natureza frios.

Mas não é um frio que se sente. É um frio que perfura e corrói. E magoa e faz chorar.

Um frio gelado. Que escorrega pelas costas abaixo e se renova a cada minuto.

Sentimo-nos gelados, desconfortados como quando éramos criança e passavamos férias na neve. Os dedos gelavam e chorávamos com a dores insuportáveis nas pontas dos dedos que já nem sentíamos.

O frio, às vezes, faz chorar.


Há quem lhe chame "balde de água". Para mim é só uma decepção. Mais uma desilusão. A sensação de subir alto, de ultrapassar a vertigem e de depois cair. Mas cair a alta velocidade, perfurar as vagas frias e deixar de sentir o corpo. Deixar de ver o mundo. Deixar de ver os outros.

Essencialmente deixar de ver os outros como pensávamos ver.

E quando, por fim, aterramos... O chão não é frio. O chão é como a água, inodoro, incolor e insípido. O chão é a água.

Que nos cai, lentamente, no coração.

E essa água é fria. E há um balde que cai no chão.

sexta-feira, junho 29, 2007

Porque às vezes precisamos de luz...

Ilumina-me

(Pedro Abrunhosa)



Gosto de ti como quem gosta do sábado,

Gosto de ti como quem abraça o fogo,

Gosto de ti como quem vence o espaço,

Como quem abre o regaço,

Como quem salta o vazio,

Um barco aporta no rio,

Um homem morre no esforço,

Sete colinas no dorso

E uma cidade p’ra mim.



Gosto de ti como quem mata o degredo,

Gosto de ti como quem finta o futuro,

Gosto de ti como quem diz não ter medo,

Como quem mente em segredo,

Como quem baila na estrada,

Vestido feito de nada,

As mãos fartas do corpo,

Um beijo louco no porto

E uma cidade p’ra ti.



Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.



Gosto de ti como uma estrela no dia,

Gosto de ti quando uma nuvem começa,

Gosto de ti quando o teu corpo pedia,

Quando nas mãos me ardia,

Como silêncio na guerra,

Beijos de luz e de terra,

E num passado imperfeito,

Um fogo farto no peito

E um mundo longe de nós.



Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

Enquanto não há amanhã,

Ilumina-me, Ilumina-me.

quinta-feira, junho 14, 2007

Elogio

Ao meu amigo Zé (quita)

É uma simples palavra, um simples sorriso, uma simples acção.
É como uma rosa branca que se recebe quando menos se espera.
É uma surpresa profunda.
É único. E é escasso.
Como o tempo.
Que passa e não volta.
Mas é bom.
E quando vem, é eterno e intemporal.
Um agradecimento profundo a ti. Serás sempre benvindo.

segunda-feira, junho 11, 2007

Há uma música do povo

Há uma musica do Povo,
Nem sei dizer se é um Fado
Que ouvindo-a há um ritmo novo
No ser que tenho guardado…

Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…

Mas é tão consoladora
A vaga e triste canção…
Que a minha alma já não chora
Nem eu tenho coração…

Sou uma emoção estrangeira,
Um erro de sonho ido…
Canto de qualquer maneira
E acabo com um sentido!

Nunca fui grande fã de fado. Mas este supera qualquer sentimento.
Tenho pena de não poder dar-vos o som. Mas é sublime.
Poema de Fernando Pessoa e voz de Mariza.

sábado, junho 09, 2007

Tu


Hoje sonhei contigo.

Foi real como um sono profundo.

Como se não vivesses no outro mundo

E me desses na tua face

A calma de um doce abrigo.

Eras tu, estou certa de que eras tu.

quarta-feira, maio 30, 2007

Desilusão


É uma faca que extravasa os nossos sentidos e perfura fundo.

Normalmente não contamos com ela, por isso é que é tão fria. Não nos dá tempo para nos defendermos nem tão pouco para nos protegermos. E devia.

Porque quando toca, dói.

E muito.

quarta-feira, abril 25, 2007

Paradoxos


Não gosto de dias de chuva nem de dias tristes.

Não gosto de estar longe de quem gosto ou de estar perto e sentir-me distante.

Não gosto de quebrar a rotina, mas também detesto fazer sempre a mesma coisa.

Não gosto de ouvir música com headphones porque adoro cantar nas alturas, mas nem sempre o posso fazer com o risco de ser observada.

E se há coisa que não gosto é que me olhem de cima abaixo.

Na verdade, não gosto de dar nas vistas.

Não gosto de hipocrisia e não gosto que me traiam.

Não gosto de ser fria e injusta, mas se não o for serão sempre hipócritas e irão sempre trair-me.

Não gosto de estar triste, mas sei que às vezes é preciso.

Afinal tudo aquilo de que não gosto acaba sempre por acontecer para que possa pensar naquilo que realmente é bom.


Paradoxos da vida!

segunda-feira, abril 02, 2007

Amadeus

Vi há dias um dos filmes de que jamais esquecerei.
"Tu que tanto gostas de música, não havias de perder o 'Amadeus'" - diziam-me.
De facto, não devia tê-lo perdido. Pelo menos por tanto tempo. Devia ter deixado que ele invadisse a minha vida bem antes.
Para perceber que a música não é um som, mas um dom, não uma escolha, mas uma vida...

sexta-feira, março 30, 2007

Folhas caídas no coração


Sinto que o que tinhamos começou a perder-se ao longo do tempo, como as folhas das árvores que caem lentamente no Outono e se espalham, por fim no chão.


Há um fio de vento que ninguém sabe de onde vem, porque ninguém o sente senão eu. Nem tu.

Penso que alguém o soprou só para mim, que todas as portas se fecharam e apenas uma janela ficou aberta para fazer a corrente de ar subir e atingir-me as costas, perfurar-me os pulmões cansados e atingir-me como um punhal.

Um punhal que fura mas que não mata. Que corrói mas que não faz sangrar. Que não se sente mas que atinge, magoa e me faz suspirar as folhas caídas no chão.

"Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas [...] que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória", dizia o Garret nas "Folhas Caídas".

Folhas de árvore, longe das folhas de papel. Que não rasgam e que às vezes são verdes ou castanhas. Mas são sempre leves, sempre soltas e livres.

Olho para o chão e apenas vejo pedaços folhas castanhas. Mortas. Ou estarão simplesmente a dormir? São folhas, caídas, adormecidas no chão.

Será que ainda vamos a tempo de as apanhar e colar nos ramos vazios?

Ou será no meu coração?

sexta-feira, março 09, 2007

Cansada


"Tudo me corre mal", é a frase que mais tenho proferido. Sabem o que é sentir que a vida nos vira as costas? Que alguém se esquece de nós e nos tranca o caminho da sorte?

Nem sei se tenho vontade de chorar ou de rir, mas supero-me ao mostrar aos outros a face que não consigo ver.

Aparento a alegria que não tenho, a satisfação que há muito não sinto e a companhia que preciso quando todos me abandonam.

Não estou só, mas sinto falta. E essa é a maior dor que se pode sentir. Olhar em redor, ter tudo e ao mesmo tempo não ter nada.

Ter dias que correm ambíguos, acontecimentos que se atropelam em marés de azar, tristeza que aumenta a olhos vistos e falta de uma alegria para me confortar.

"Estás cansada", disse-me hoje a minha mãe. Sim. Cansada da vida, cansada do desassossego, das desilusões constantes e cansada de parecer alegre.

Mas sinto que algo me escorre pelos dedos e não o consigo agarrar. Talvez não mereça, mas hei-de ganhar forças para continuar a tentar.